
Em conflito permanente (embora com graus de intensidade variáveis) com os estados árabes vizinhos desde a data da sua fundação em 1947, por decisão da ONU. O primeiro conflito aberto estalou em 1949, ao qual se seguiria a Guerra do Suez, em 1956, a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a ofensiva do Yom Kipur, em 1973; destes conflitos resultou a ocupação do território palestiniano (Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Leste) e de áreas de outros vizinhos árabes (Península do Sinai e Montes Golan).
Esta situação de ocupação originou dois processos de revolta palestiniana (a Intifada lançada em 1987 e retomada em 2000 até aos dias de hoje) a que os governos judaicos responderam com a intensificação da repressão nos territórios ocupados, registando-se pelo meio a assinatura de em 1993 de um acordo de paz entre Israel e a Autoridade Palestiniana (conhecido pelo Acordo de Oslo, que foi subscrito por Shimon Peres e Yasser Arafat) que tem registado sucessivos atropelos mas também já conheceu a recente (em 2005) retirada israelita da Faixa de Gaza.
Esta situação político-militar particularmente complicada tem conhecido pelo lado israelita diferentes actores, em função das oscilações eleitorais entre conservadores e trabalhistas, sendo o actual, Ariel Sharon, um antigo líder militar da Guerra dos Seis Dias, ex-guerrilheiro do movimento nacionalista “Aganah” e responsável por acções militares contra civis palestinianos, quer enquanto oficial do exército quer mais tarde enquanto ministro da defesa.
O lado palestiniano, actualmente dirigido por Mahmoud Abbas que ascendeu ao cargo após a morte do líder histórico da OLP, Yasser Arafat, tem procurado ao longo dos tempos apoios internacionais, quer entre os estados árabes da região quer na ONU, para ver aplicada a deliberação daquele organismo, datada de 1947, que estabeleceu a existência de dois estados – Israel e Palestina. Envolvida nas diferentes situações de conflito, sempre a comunidade palestiniana saiu perdedora, de uma forma ou outra, juntamente com a maioria dos estados árabes vizinhos.

A ocorrência de constantes incidentes (atentados palestinianos contra alvos judaicos e ataques israelitas contra campos de refugiados palestinianos) originou em 2002 novos esforços de pacificação, conhecidos pela interessante designação de “Roteiro para a Paz” que terão culminado com a retirada judaica do território palestiniano ocupado da Faixa de Gaza, ocorrida no ano passado por decisão de Ariel Sharon.
Praticando uma política dupla – mantendo um calendário para a paz, desocupando parte dos territórios e desmantelando alguns colonatos judaicos mas, erguendo barreiras em torno dos territórios palestinianos e mantendo uma prática de assassinatos selectivos nesses mesmos territórios – Sharon tem visto a sua política apoiada pelos Estados Unidos da América, nomeadamente quando após o 11 de Setembro de 2001 conseguiu incluir os movimentos armados palestinianos do “Hamas” e das “Brigadas Al-Aqsa” entre as organizações terroristas mundiais, e mais recentemente pela União Europeia quando esta inflectiu a sua política para a região passando a alinhar na estratégia judaica e americana de exigir garantias à administração palestiniana de cessação dos atentados perpetrados pelos grupos palestinianos radicais (nos termos do citado roteiro).
Mesmo perante um total desrespeito pelas normas internacionais – á face da lei Israel e o seu exército ocupam os territórios de um estado reconhecido pela ONU – a Autoridade Palestiniana tem procurado minimizar o ambiente de conflito, situação cada vez mais difícil face à conjuntura mundial e local, uma vez que a decisão americana de invadir e ocupar o Iraque apenas tem contribuído para inflamar ainda mais o velho conflito com Israel.
A delicada situação israelita não se resume às suas relações (normalmente de força) com a Autoridade Palestiniana, uma vez que mantém sob ocupação uma região reivindicada pela Síria (os Montes Golan), pelo que acompanhará com particular interesse o desenrolar da investigação, sob a égide da ONU, sobre o envolvimento da Síria e do seu presidente, Bashar Assad, no atentado de que resultou a morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri que se opunha à permanência de tropas sírias naquele país.

A actual disposição iraniana de pôr em funcionamento um reactor nuclear vai ser um dos problemas que o governo israelita que venha a sair das próximas eleições de Março terá de enfrentar, não sendo de estranhar que qualquer que ele seja – com Sharon, Netanyahu ou outro – venha a optar pelo bombardeamento daquelas instalações, uma vez que a comunidade internacional parece aceitar a pretensão de Israel a ser a única potência nuclear regional.
Assim, enquanto se aguardam notícias sobre o estado de saúde de Ariel Sharon, podemos ter uma certeza – qualquer que seja a evolução da sua doença a política externa judaica não deverá registar significativas alterações, seja em relação aos territórios palestinianos ocupados, seja relativamente aos seus vizinhos árabes.
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