
No actual estado de ebulição que se vive no médio oriente, com o diferendo israelo-palestiniano, a ocupação do Iraque pelos americanos, a crise originada pela intenção do Irão reactivar o seu programa nuclear e o muito recente resultado das eleições na Palestina, tudo serve para as partes lançarem (ou acusarem os outros de o fazer) achas para a fogueira, que os órgãos de comunicação social ajudam a difundir e a ampliar.
Entre comunicados de rejeição, desmentidos baseados em erros de tradução e interpretação, o mundo vai assistindo a uma subida de tom na linguagem política e diplomática a propósito daquela conturbada região do planeta.
Sem querer aqui fazer eco das teses, muito discutíveis, de Ahmadinejad (que não será mais que o porta-voz das facções mais radicais do islamismo xiita), nem defender o lado oposto (aprendi há muito que nos conflitos não há lugar para os “santos”), sempre vou recordando que parte significativa da instabilidade naquela região resulta do facto desta constituir a principal origem dos hidrocarbonetos de que a indústria mundial necessita desesperadamente e de nela ter sido implantado um foco adicional de conflito, originado pela política norte-americana de apoio incondicional às teses judaicas, mais do que à implantação do estado de Israel que a ONU decidiu em 1947.
Mais do que o potencial conflito de interesses entre judeus e palestinianos, o grande problema reside no facto de nunca a comunidade internacional ter feito um verdadeiro esforço para a aplicação daquela resolução da ONU, antes optando invariavelmente pela defesa intransigente das teses e políticas judaica (invariavelmente escudada no horror do holocausto). Enquanto aos palestinianos continuam a ser feitas exigências de respeito pela existência de Israel e de abandono da luta armada, aos judeus continua a ser permitido o bombardeamento dos territórios palestinianos, o assassinato de militantes palestinianos, a ocupação de terras com colonatos judaicos e o desrespeito da decisão de partilha entre os dois povos da cidade de Jerusalém.
A política negacionista do Irão, sendo condenável, tem que ser entendida como mais uma peça nesta intrincada teia de interesses, não devendo ser utilizada como mais um argumento de arremesso e exaltação de mentalidades.
O holocausto e aqueles que o sofreram merecem melhor homenagem que a utilização da sua memória em prol de interesses muito duvidosos.
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