Vários órgãos de comunicação nacional fazem hoje eco da manchete do jornal “24 HORAS” que noticia o facto do chamado “Processo Casa Pia” conter registos de várias dezenas de chamadas telefónicas realizadas entre Dezembro de 2001 e Maio de 2002 a partir de telefones privados, sendo grande parte de números confidenciais.
Ao que parece entre os números vigiados contam-se os do Presidente da República, do Primeiro-ministro, do Presidente da Assembleia da República, de políticos não especificados e de magistrados (com particular incidência os do Supremo Tribunal de Justiça); tanto quanto terá conseguido apurar o autor da peça jornalística a Portugal Telecom diz que não dispensou a informação sem o respectivo mandato judicial, mas que no processo não figura qualquer documento justificativo da mesma.

Em termos gerais o que qualquer cidadão não pode deixar de pensar é como foi possível a obtenção da informação de que o jornal alega ter cópia, tanto mais que esta carecia de autorização judicial que jornal e PGR dizem não ter existido.
Sem autorização judicial nada distingue o diligente agente da Polícia Judiciária que apresentou o pedido à PT de qualquer outro cidadão, pelo que é de admitir que as empresas nacionais “prestem” alguns serviços de natureza legal muito duvidosa, razão pela qual qualquer cidadão no interior das fronteiras nacionais corre sérios riscos de ver a sua privacidade devassada em nome de um qualquer princípio desconhecido e sem quaisquer garantias de segurança e sigilo sobre essa mesma informação.
O Presidente Jorge Sampaio terá exigido ao Procurador-Geral da República o apuramento de responsabilidades em mais este “caso”, que há semelhança de outros também deverá acabar no rol do esquecimento ajudado pela voragem de novas notícias bombásticas.
Para a história ficará mais um episódio, revelador do estado de degradação a que chegou a justiça e os seus agentes em Portugal, da inoperância dos mecanismos de protecção dos direitos e garantias individuais neste país e da evidente incapacidade de um magistrado que é suposto assumir o papel de garante de um estado de direito que pelos visto não existe entre nós.
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