sexta-feira, 28 de setembro de 2018

RIAM-SE!


São tão constantes e recorrentes as notícias e os comentários sobre as intervenções de Donald Trump que o assunto já alcançou foros de outra realidade.

Mas que dizer da recente passagem do presidente norte-americano pela Assembleia-Geral da ONU?


Da forma que se lhe conhece, aproveitou a oportunidade para se auto-elogiar e recebeu da assistência vastas gargalhadas.
 
Assim vão os EUA e o Mundo...

sábado, 22 de setembro de 2018

MIGRANTXIT


Com a celebração da “saída limpa” da Grécia – o que não significou grande alívio para a população grega – e a crise das dívidas públicas em aparentes águas mornas, as atenções parecem agora mais viradas para o problema do afluxo de migrantes e para a clara cisão marcada pela recusa do Grupo de Visegrado (Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia) em participar no programa europeu de redistribuição de imigrantes, recusa que acaba de ser oficialmente reconhecida na cimeira informal que reuniu chefes de estado e de governo da UE em Salzburgo.


Mais do que concertar uma solução a longo prazo para o problema do crescente fluxo de migrantes às fronteiras da UE, solução que terá que passar pela normalização política e económica das regiões de origem dos migrantes mas que no imediato terá que responder às mais básicas carências daqueles que sobrevivem até às suas fronteiras, o compromisso encontrado em Salzburgo, parece mais um apoio às políticas radicais do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que a reafirmação dos princípios de solidariedade e responsabilidade que costumavam ser associados à ideia da UE.

sábado, 15 de setembro de 2018

COLAPSO? QUAL COLAPSO?


Como muitos outros órgãos de comunicação social o EXPRESSO publicou hoje uma peça sobre a falência do Lehman Brothers e sobre a crise económica e financeira que ampliou e deu visibilidade.
Nela dá especial destaque à crise do crédito imobiliário de alto risco – que terá sido a causa próxima, mas nunca a causa principal – para uma crise que rapidamente ultrapassou as fronteiras norte-americanas e que nem os especialistas alguma vez conseguiram definir de forma precisa. A par do subprime outras razões deveriam ter sido apontadas, como a excessiva alavancagem das economias, a disseminação de produtos financeiros complexos e inadequadamente avaliados pelas agências de rating e a exigência de resultados rápidos e de grande dimensão, como grandes responsáveis pela situação e como alvos prioritários para a actuação dos poderes políticos.


Mas nada disso aconteceu e hoje, dez anos volvidos e quando ainda nos debatemos com o seu rescaldo, prefere-se esconder a dimensão do problema atrás da simples ponta do iceberg que foi o subprime ou até a falência do Lehman Brothers, para que tudo continue como antes, para que a economia real (aquela onde vivem as empresas e as famílias) continue a suportar a economia de casino que se montou em torno do flagelo global que ainda é o endividamento em excesso e a escassez de investimento.

Dez anos volvidos sobre o colapso que devia ter mudado as nossas vidas continuamos a assistir à actuação desregulada e desregrada dum sistema financeiro desligado da realidade económica global, onde se continua a permitir a transacção de contratos derivados que ultrapassam várias vezes o valor e o montante dos activos reais, onde se permite a amálgama entre a actividade comercial e a especulativa e onde os grandes quadros continuam a usufruir de escandalosas compensações pelos resultados imediatos e inúmeras vezes inflacionados por meras manobras contabilísticas.

Depois de injectadas biliões de unidades monetárias nos diferentes sistemas bancários nacionais, numa manobra que mais não foi que um novo expediente para concentrar a riqueza global nas mãos de uma ínfima percentagem de mega-ricos (agravada no caso da Zona Euro pelo cínico discurso da necessidade de honrar as dívidas, como se a desregulamentação, a ganância, a má gestão e a actuação tantas vezes fraudulenta dos banksters nada tivesse tido a ver com o problema) e de continuarmos a assistir ao estiolar das economias por escassez de investimento (mantêm-se níveis insuficientes de poupança enquanto as grandes fortunas continuam a beneficiar de protecções e paraísos fiscais), a par com o aumento da concentração da riqueza, bem se devia perguntar: qual colapso?

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CAPITÃO AMÉRICA


Dias depois de termos assistido à demonstração de uma «Imprensa dos EUA unida para derrubar retórica hostil de Trump contra 'media'» eis que surgiram os primeiros excertos da publicação de «Medo: Trump na Casa Branca», o mais recente livro de Bob Woodward (o premiado jornalista do Washington Post que em 1974 revelou o escândalo Watergate), onde este assegura que «há aliados de Trump que lhe escondem documentos e se negam a cumprir ordens», situação que parece confirmada quando logo a seguir uma «Opinião anónima no NYT diz que há um movimento secreto de resistência dentro da Administração Trump».

Dois dos seus colaboradores mais próximos, «Mike Pence e Mike Pompeo negam ter escrito artigo sobre Trump e acusam media de sabotar administração», enquanto o próprio «Trump reage ao artigo do “New York Times”: “É um editorial cobarde”» e traz a questão para a sua habitual linha de argumentação – tão simples e directa quanto manipuladora e normalmente pouco fiável.


A pouco e pouco, por acção própria ou por reacção àqueles que o pretendem combater, Trump, qual Capitão América, está a colocar-se na posição de “sozinho contra todos”, especialmente perigosa para quem se tem assumido desde a primeira hora como um populista que nunca hesitou em negar num dia o que jurou no anterior e sempre tem contado com forte apoio dos seus indefectíveis, confirmando até que esta América truculenta e canhestra que Trump está a trazer para a ribalta mundial sempre existiu.

O futuro dirá se existem, ou não, «Manobras na Casa Branca: resistência ou golpe de Estado?» e se, num cenário possível, «“Isto não é um novo Watergate. É pior”».

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

e-VOTO


A poucas horas do fim da silly season (tradicionalmente o mês de Agosto, aquele que é considerado o período de férias por excelência) e perante a extrema lassidão que a sucessão de não-notícias me provocou eis que respigo aqui a notícia de que a «Maioria dos europeus dizem não à mudança da hora», na sequência duma consulta lançada pela Comissão Europeia.


A questão tem a importância que lhe quisermos dar, mas o que gostava de frisar aqui é que ao inquérito on-line responderam 4,6 milhões de cidadãos europeus, menos de 1% dos mais de 500 milhões que partilhamos este espaço a que chamamos Europa e no qual nos dizem funcionar uma União.

Claro que o tema em consulta é de importância menor e pouca ou nenhuma divulgação mereceu, mas este nível de participação e de cidadania abona pouco em favor de todos nós e duma realidade que pode estar bem mais próxima que muitos imaginam: a do voto electrónico. Servirá ou não, conforme o interesse dos dirigentes europeus, de alerta para a necessidade de mais e melhor informação e de mais e melhor motivação para o exercício dos direitos de que ninguém deve prescindir.

A seguir...