segunda-feira, 22 de abril de 2019

PODER DE REIVINDICAÇÃO?


A greve convocada na passada semana por um recém criado Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) apesar de entretanto resolvida continua a centrar atenções e opiniões.

Dizem uns que o sindicalismo já não é o que era e outros que esta greve veio revelar a dependência nacional dos produtos petrolíferos, como se nunca se tivessem registado outras greves de outros sectores específicos (lembre-se o caso dos enfermeiros especialistas) ou se a distribuição de outras formas de energia (por exemplo o gás ou a electricidade) não possa originar também o mesmo tipo de paralisia económica.


Deixando por ora de lado a questão das transformações no mundo sindical, quero concentrar-me apenas no aproveitamento da escassez de combustíveis que tem sido feito pelos indefectíveis da substituição dos motores de combustão interna pelos eléctricos para recordar que as redes de distribuição de energia eléctrica constituem um dos mais fáceis e apetecíveis alvos para ataques informáticos que poderão paralisar tudo e todos, quando talvez uma das questões que já devia ter sido levantada era a do modelo de funcionamento de um sistema de distribuição completamente desligado da realidade e da gestão da produção industrial.

É que se fossem as próprias refinadoras a assegurar a principal quota do serviço de distribuição seguramente que não quereriam ver o seu negócio seriamente afectado.

terça-feira, 16 de abril de 2019

NOTRE DAME DE PARIS


Um dos símbolos de Paris não resistiu ontem a um fogo que quase o destruiu por completo.


A catedral de Notre Dame de Paris já tinha escapado no verão de 1944 à sentença que então lhe decretara Hitler, quando o comandante alemão das forças de ocupação decidiu não cumprir a ordem para arrasar os principais monumentos da cidade. Não escapou agora a um incêndio que o tempo dirá se foi acidente, fatalidade ou incúria.

Claro que de pronto chegaram as mensagens de consternação e solidariedade e até mais um disparatado tweet de Donald Trump sugerindo o uso de meios aéreos para combater o incêndio, ideia que reflecte a genialidade do autor e garantiria não só a extinção da catedral mas também a da Ile de France.

O governo francês já prometeu a sua reconstrução, mas até lá a Cidade da Luz, a Europa e o Mundo vão ficar cultural e historicamente mais pobres...

segunda-feira, 8 de abril de 2019

FAMILYGATE


A questão das ligações familiares no seio do governo continua a preencher grande parte da atenção nacional.

Claro que o alerta foi lançado pelos partidos do oposição (PSD e CDS) e que o tema, seja ele incluído na prática de nepotismo ou de mero favorecimento indevido, merece atenção.

Pena que não tenha surgido pelas melhores razões – o cuidado que toda a classe política e a dirigente em especial deveria ter no uso das melhores e mais saudáveis práticas – mas por mero oportunismo eleitoral e quase completa ausência de outros argumentos para o debate político.


Há muito, desde os tempos em que Passos Coelho ameaçou e prometeu o regresso do “diabo”, que os partidos que compuseram a anterior coligação governativa se debatem com a insanável dificuldade de terem de criticar e denegrir a actuação de um governo que está a conseguir realizar o programa económico e social que eles queriam aplicar mas não conseguiram.

E pior, é que no próprio campo que escolheram – o tal das ligações familiares no actual governo – já estão a registar insucessos, como o que resultou de mais uma canhestra intervenção do anterior Presidente da República que criticou o actual governo esquecendo conveniente que também nos governos que chefiou aconteceu o mesmo.

quinta-feira, 21 de março de 2019

O FOLHETIM CONTINUA...


É quase inevitável que enquanto continuamos a assistir diariamente ao folhetim do Brexit nos venham à memória outras produções britânicas de muito melhor qualidade.

Com o passar dos dias, o que começou por ser um drama assemelha-se cada vez mais a uma farsa que as dúvidas internas arriscam transformar em tragédia.


As opiniões dividem-se e, haja ou não uma saída negociada, dificilmente o Reino Unido sairá mais forte e coeso de todo um processo que tem vindo a pôr a descoberto fragilidades e dissensões internas que poderão determinar o fim do Reino Unido antes da anunciada (por alguns...) implosão da UE.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

VICE


A fábrica dos sonhos de Hollywood tem por vezes (muito raras vezes) a capacidade de mostrar mais do que talvez desejasse. Isso se poderá dizer do filme realizado por Adam McKay sobre a figura de Dick Cheney.


Não vou aqui analisar o filme nem o que sobre ele pode ser reflectido, melhor que eu já o fez Viriato Soromenho-Marques no seu «O assalto à Casa Branca». Quero só deixar um pequeno contributo que me ocorreu algures a meio da visualização de um trabalho que revelando as incongruências e as idiossincrasias de um sistema político profundamente corrompido (veja-se a cena da “chegada” do estagiário Cheney aos corredores do Congresso) joga ainda nas subtilezas da língua quando se apresenta com um título que tanto pode aludir ao cargo de Dick Cheney na administração de George W Bush como ao enraizado vício (que é esse o significado do termo "vice") pelo poder que todos aqueles personagens representam.