O “Le Monde” anunciava na sua edição de ontem a intenção do governo britânico “normalizar” a situação na Irlanda do Norte. Passe o eufemismo, cabeçalhos de notícias como este não deveriam ter lugar nos nossos meios de comunicação, mas poderão ilustrar o que parece estar a acontecer com o crescente clima de “normalização” das relações entre o IRA e o governo britânico.
Independentemente do cada que cada um de nós possa pensar relativamente ao conflito que há séculos (o desembarque da primeira vaga organizada de colonos ingleses protestantes data de meados do século XVII, durante o consulado de Oliver Cromwell) vem dilacerando aquele território - a simples referência à oposição entre católicos e protestantes parece-me redutora e pouco esclarecedora do real fenómeno que ali ocorre(u) - tudo o que de positivo possa ser feito para acabar com um conflito que dividiu gerações e gerações de irlandeses e ingleses, deverá ser recebido com o aplauso de todos os que entendam a coexistência política e cultural como a base de todo o desenvolvimento.


Perante esta evidente posição de apoio às teses protestantes radicais dificilmente a Comissão Internacional Independente de Desarme (entidade que procura garantir no terreno a existência de condições para a concretização das negociações) será ouvida e acatada por aquele grupo.
Mantendo-se o clima de desconfiança fácil será a qualquer das alas radicais (católica ou protestante) reacender o conflito num momento em que isso sirva melhor os seus interesses... ou os de terceiros.
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