
Foi o próprio primeiro-ministro, Dominique de Villepin, que fez o anúncio formal da decisão tomada conjuntamente com o presidente da república, Jacques Chirac, a qual inclui a substituição do referido artigo por outro prevendo um mecanismo de inserção no mercado de trabalho adequado aos jovens.
Não tardaram as reacções, que naturalmente vão desde o clamor pelo “atentado ao estado de direito”, subscrito pelo ultra-direitista Jean Marie Le Pen, até à satisfação das organizações estudantis e sindicais que mesmo assim mantiveram o apelo à manutenção da mobilização, tanto mais que o teor da alteração apresentada ainda é desconhecido.

Não se trata aqui de estabelecer qualquer paralelo com o célebre Maio de 1968, nem reavivar “velhas glórias” ou saudosismos serôdios, mas tão só vincar que apesar das muitas limitações que a pouco e pouco têm vindo a ser criadas para desincentivar as movimentações populares, estas ainda podem conseguir fazer ouvir a sua “voz” e impor a sua vontade à dos governos.
Resta agora aguardar para ver como se efectuará o realinhamento de posições no interior do governo de Villepin e do UMP (partido da coligação governamental liderado pelo ministro do interior, Nicolas Sarkozy), qual o teor concreto da nova proposta e das consequências para as sociedades francesa e europeia, sabendo-se que noutros países da UE os respectivos governos acompanhavam com indisfarçado interesse os desenvolvimentos em torno do polémico CPE, enquanto as estruturas estudantis parecem determinadas a manter o encerramento das escolas e as manifestações agendadas até completo esclarecimento das intenções governamentais.
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