
Com a novidade de colocar a Suíça no primeiro lugar do “ranking” (conquistado graças a uma elevada capacidade de inovação, uma boa infra-estrutura de investigação científica caracterizada pela colaboração entre centros de produção de conhecimento e a indústria, investimento na investigação e desenvolvimento e a existência de sistemas institucionais e jurídicos eficientes a par de um regime laboral flexível), de relegar os EUA para a sexta posição (consequência dos sucessivos deficits que nem um ambiente propício aos negócios, nem a eficiência dos seus mercados, nem a existência de grandes centros de desenvolvimento conseguiu evitar), coloca entre estes três economias europeias – Finlândia, Suécia e Dinamarca – e Singapura. Os países nórdicos, reconhecidos pelos níveis excedentários dos seus orçamentos e níveis reduzidos de endividamento, beneficiaram ainda de investimentos generalizados na educação, nas infraestruturas e num vasto conjunto de serviços sociais possibilitados por prudentes políticas fiscais.
No relatório, Portugal surge classificado no 34º lugar (menos três que na edição anterior) e isto num momento em que no nosso país ainda ressoam os ecos das recomendações do
Analisando em maior detalhe a avaliação da competitividade nacional constata-se que os pontos mais negativos foram o da avaliação do desempenho macroeconómico (baixo crescimento e os défices público e externo) e o da sofisticação no negócio, enquanto os mais positivos foram os desempenhos ao nível da saúde e da educação.
Mesmo tomando as conclusões do WORLD ECONOMIC FORUM com as devidas precauções, ninguém poderá deixar de constatar que os principais problemas apontados à nossa economia resultam da esfera privada e não da acção do Estado, como se poderia concluir da análise dos mentores daquele “think tank” nacional. Como muito bem chamou a atenção Helena Garrido no
Este trabalho veio trazer para o debate algum realismo, com o importante peso de não ser da autoria de ninguém que liberais ou neoliberais possam considerar suspeito, e revelar (se preciso fosse) que contrariamente ao que é comum ouvir-se é às empresas e aos empresários que compete o papel de gestão e desenvolvimento dos respectivos negócios e o investimento nas áreas de investigação e desenvolvimento a eles associados. O «menos Estado, melhor Estado» tão apregoado deveria ser substituído por «mais Empresas, melhores Empresários».
Esta realidade, que de forma mais ou menos sistemática tem sido escamoteada à generalidade da população portuguesa, é a mesma que habilidosamente tem servido para fundamentar a aplicação de políticas orçamentais restritivas que se fazem sentir (e de que maneira) no rendimento das famílias.
Enquanto o Estado persiste no lançamento de grandes investimentos ditos estruturantes e envoltos em grande polémica (novo aeroporto, TGV, etc.) os empresários nacionais (grandes empresas) continuam a “apostar” em sectores de actividade com baixo valor acrescentado e a praticar políticas de gestão meramente orientadas para os benefícios fiscais; no seu conjunto, grandes e pequenos empresários, insistem em culpabilizar a rigidez da legislação laboral pelos custos da mão-de-obra mal qualificada (mas à qual recusam os meios para a qualificação) que empregam, os trabalhadores pela baixa produtividade dos equipamentos tecnologicamente ultrapassados em que investiram (enquanto apelam e esperam pelos subsídios públicos para a modernização da sua empresa).

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