segunda-feira, 11 de setembro de 2006

NINE ELEVEN[1] - PARTE I

OS ACONTECIMENTOS

Cumprem-se hoje 5 anos sobre a data que para muita gente representa uma viragem no curso da história mundial [2]. De acordo com aquilo que nos foi dado assistir quase em directo pelos diversos canais de televisão, dois aviões comerciais embateram contra os dois edifícios mais altos da cidade americana de Nova Iorque.

Para milhões de telespectadores que, como eu, puderam assistir em directo ao embate do segundo avião contra o World Trade Center, de pronto abandonaram a hipótese de se encontrarem perante um lamentável acidente aéreo. As mais diversas hipóteses começaram desde logo a ser equacionadas, culminando numa relativamente rápida acusação contra uma rede terrorista liderada por Ossama Bin Laden.

O estupor generalizado e a brutalidade das imagens difundidas até à exaustão tolheram toda a gente de surpresa, a ponto de no dia seguinte o jornal francês LE MONDE ter titulado a toda a largura da sua primeira página «Hoje somos todos americanos», frase que em boa medida sintetizava o horror e o repúdio geral por um atentado que ceifara a vida de cerca de três mil pessoas. Com a passagem dos dias e a progressiva análise cuidada ao que se passara, algumas contradições começaram a tornar-se evidentes e a surgirem as primeiras dúvidas. Enquanto a generalidade da imprensa mundial continuava a apresentar relatos de sobreviventes, testemunhas e responsáveis governamentais norte-americanos, começaram a ouvir-se as primeiras vozes a colocarem questões de particular pertinência em torno das notícias que tinham surgido.

A TESE OFICIAL

Segundo fontes oficiais da administração norte-americana, o que aconteceu em 11 de Setembro foi a consumação de uma acção terrorista, organizada pela Al-Qaeda (grupo islâmico liderado por Ossama Bin Laden, que já havia sido responsabilizado por anteriores atentados contra interesses norte-americanos - caso do atentado contra o US Cole, navio da armada americana na altura estacionado em águas do Médio Oriente, e contra a embaixada americana em Nairobi - e era julgado capaz da organização de uma acção de tal envergadura) que consistiu no desvio de aviões comerciais e no seu posterior embate contra o World Trade Center e o edifício do Pentágono. Dos aparelhos desviados pelo comando suicida apenas um teria sido impedido de atingir o seu objectivo, a Casa Branca, por se ter despenhado antes de o alcançar.

AS PRIMEIRAS DÚVIDAS

Os modernos meios de comunicação permitiram que nas horas que sucederam aos atentados tenham proliferado as reportagens televisivas e jornalísticas junto dos locais atingidos e/ou alvos potenciais, recolhendo-se centenas de declarações de testemunhas que se viriam a revelar contraditórias sobre o acontecimento. Assim, enquanto as companhias aéreas rectificavam as primeiras listas de passageiros dos voos desviados (as primeiras não continham referência a qualquer passageiro de nacionalidade ou ascendência árabe, nem as listas de vítimas publicada pela CNN), especialistas na luta antiterrorista surgiam a enquadrar a acção e o respectivo “modus operandi” na tipologia e padrão da Al-Qaeda.

Enquanto o mundo ainda não recuperara do choque do acontecido, a administração de George W. Bush já partia para o contra-ataque e fixava como objectivo principal a captura e julgamento de Bin Laden, que os serviços de espionagem davam como refugiado no Afeganistão. Daí à invasão daquele país oriental foi um mero passo e após uma rápida deliberação do Conselho Geral da ONU e beneficiando do generalizado apoio mundial, os EUA iniciam no dia 7 de Outubro de 2001 a acção militar.

Quase em simultâneo (8 de Outubro de 2001) surge uma primeira referência na Internet, na página do RÉSEAU VOLTAIRE, ao avolumar de dúvidas sobre as ocorrências no dia 11 de Setembro, num texto intitulado «Les mystères de l'attentat contre le Pentagone». As primeiras dúvidas vão-se tornando cada vez mais consistentes há medida que a informação se vai avolumando e a documentação, nomeadamente a fotográfica, vai surgindo e sendo analisada. No dia 10 de Fevereiro de 2002, no sítio Internet L’ASILE UTOPIQUE é publicado «Le jeu des 7 erreurs», que mediante a apresentação de diversos documentos fotográficos coloca sete importantes questões em torno do atentado contra o Pentágono.

Cerca de um mês depois é publicado em França o livro «L'Effroyable imposture» no qual Thierry Meyssan resume frontalmente a investigação efectuada: Nenhum avião caiu sobre o Pentágono!

A obra, rapidamente traduzida em várias línguas (entre as quais português), suscita um crescente interesse a ponto de ter sido criado um sítio na Internet (effroyable-imposture.net) que disponibiliza a base documentária utilizada na sua elaboração. Como abordagem polémica que é, a primeira reacção da imprensa foi a de criticar a investigação de forma frontal, reduzindo-a à categoria de mentira e classificando-a como revisionista. A este primeiro trabalho seguir-se-ia um segundo, O PENTAGATE (também editado em Portugal), no qual é analisado em maior detalhe o “ataque” ao Pentágono.

Ao longo do tempo, a consistência das dúvidas e a ausência de respostas eficazes e credíveis da administração norte-americana conduziram ao aumento do número de investigadores e à constituição de grupos de pesquisa dos quais se destacam além do RÉSEAU VOLTAIRE, grupo de origem francesa já referido, o CENTRE FOR RESEARCH ON GLOBALISATION (CRG), de origem canadiana, e o SCHOLARS FOR 9/11 TRUTH, organização de origem norte-americana que congrega professores universitários, investigadores e estudantes universitários de diferentes nacionalidades; estes grupos, a par de muitas outras personalidades, não têm parado de questionar quer as explicações oficiais fornecidas pela Casa Branca quer a sua incongruência ou até a sua completa ausência.

O PENTAGATE

As muitas evidências acumuladas para duvidar da interpretação oficial do 11 de Setembro podem ser resumidas da seguinte forma:

  1. as imagens recolhidas do edifício do Pentágono não evidenciam os estragos esperados do embate de um avião comercial com as dimensões e peso de um Boeing 757. Este aparelho tem um peso vazio superior a 59 ton, uma envergadura de 38 m, um comprimento de 47,3 m e uma altura de cauda de 13,6 m.

  1. os estragos provocados numa ala do Pentágono que se encontrava em obras evidenciam que apenas a fuselagem do Boeing poderia ter atingido o edifício. Se assim tivesse sido os estragos no relvado exterior teriam que ser evidentes e os destroços abundantes. Curiosamente nada no relvado evidencia a violência expectável do embate de um avião, não foram encontrados nenhum dos motores do 757 (que pesam mais de 6 ton cada), destroços das asas ou da cauda, nenhuma das caixas negras, nenhum corpo ou bagagens dos passageiros.

  1. as imagens reveladas pelo governo não evidenciam em momento algum a presença de um aparelho com a envergadura de um 757 e a explosão registada (um vermelho alaranjado e no sentido ascendente, característico de uma detonação) é totalmente diversa das que ocorreram nos embates contra o World Trade Center (cor amarelo escuro e propagando-se no sentido descendente, característico da deflagração de hidrocarbonetos).

Estas imagens terão sido recolhidas de uma câmara de um parque de estacionamento vizinho, mas a que melhor poderiam ilustrar o acontecimento seriam as das câmaras de vigilância de um hotel próximo, que o FBI recolheu de imediato, mas que nunca foram reveladas ao público. Mesmo as divulgadas em momento algum permitem visualizar um Boeing 757 voando a alta velocidade e a rasar o solo, manobra particularmente delicada para um piloto experimentado (tanto mais que àquela altitude o trem de aterragem desceria automaticamente, dificultando ainda mais a manobra) quanto mais para um “terrorista” sem experiência de voo.

A estas primeiras dúvidas procurou o governo americano responder com uma teoria desenvolvida por uma equipa multidisciplinar da Universidade de Purdue (Indiana), segundo a qual teria sido a resistência dos pilares do edifício do Pentágono a provocar o “encolhimento” das asas do 757.

Esqueceram aqueles “técnicos” que o Pentágono é um edifício com paredes (a destruição evidenciada pelas primeiras fotografias após o impacto mostram danos menores e concentrados numa frente de meia dúzia de metros) e que se asas de uma avião são relativamente frágeis, já os dois reactores do Boeing 757 são estruturas particularmente sólidas e com um apreciável peso unitário de meia dúzia de toneladas, mesmo que fossem esmagadas teriam que existir os respectivos destroços uma vez que o incêndio que se seguiu não durou tempo suficiente para ter provocado a “evaporação” do metal.

A ausência de respostas claras foi justificando novas e sucessivas dúvidas a propósito dos “atentados”. A primeira, e talvez, uma das mais graves é: se há evidência nenhum avião embateu contra o Pentágono então o que o atingiu? A segunda é: o que sucedeu ao voo da American Airlines que não embateu no Pentágono e aos seus ocupantes?

As características do “ataque” ao Pentágono assemelham-se em tudo aos estragos atribuíveis à utilização de um míssil, do tipo Tomahawk, concebido para voar a muito baixa altitude. Aliás, sabendo-se que o Pentágono, tal como muitos outros edifícios estratégicos americanos, se encontra protegido por sistemas automáticos de defesa anti-aérea (mísseis terra-ar) penas uma aeronave identificada como “não hostil” poderia ter penetrado aquele espaço aéreo sem ter sido alvo de qualquer medida automática de defesa.


[1] Forma abreviada, tipicamente americana, usada para designar a data do 11 de Setembro de 2001

[2] No seu livro “FREE WORLD”, Timothy Garton Ash defende outro “nove onze” (o 9 de Novembro de 1989, data da queda do Muro de Berlim) como a verdadeira data de viragem



quinta-feira, 7 de setembro de 2006

O MODELO FUTURO PARA A SEGURANÇA SOCIAL

No seu estilo simples e directo António Perez Metelo veio trazer ao grande público, nas suas colunas diárias no DIÁRIO DE NOTÍCIAS e na TSF, o grande problema da necessidade de revisão do modelo de Segurança Social, agora trazido à ordem do dia por iniciativa do PSD que afirma também dispor de um modelo de solução alternativo.

Em poucas palavras sintetiza o autor a questão nos seguintes termos:

«São duas as alternativas à posição do Governo. À esquerda, promovida pelo movimento sindical apoiado pelo PCP e o BE, surge a proposta (com ecos recentes no Parlamento Europeu!) de onerar as empresas com maior valor acrescentado líquido, mais intensivas em capital e menores contribuições, com uma taxa até 2% sobre os lucros. «...» O PSD propõe uma ruptura com o sistema actual: a uma taxa reduzida de repartição pura juntar-se-ia uma nova conta individual obrigatória em regime de capitalização. «...» [O] regime solidário gerido pelo Estado passaria a um mínimo residual. O grosso das pensões daqui a 30 ou 40 anos basear-se-ia na capacidade individual de gestão das suas poupanças a longo prazo.»

resumindo a disputa a uma questão de natureza ideológica.

Não que conteste a sua leitura dos factos, mas porque me parece que o problema deve ser debatido de forma mais aprofundada, insisto na necessidade de uma análise crítica às dificuldades por que dizem os poderes estabelecidos passar o sistema nacional de segurança social.

A par com a leitura do referido artigo, atrevo-me a sugerir a dos dois “posts” que consagrei ao assunto: A PROPÓSITO DA FALÊNCIA DA SEGURANÇA SOCIAL e AS MENTIRAS DA FALÊNCIA DA SEGURANÇA SOCIAL.

Tão importante quanto a opção por um dos três modelos de solução alternativa – o do governo de Sócrates que defende a redução a prazo das regalias sociais e uma progressiva degradação dos valores a transferir do Estado para os trabalhadores após um período temporal cada vez maior de vida activa; o do PSD que propõe uma pura e simples minimização da componente pública das pensões de reforma a pagar no futuro, substituindo-a por uma componente privada da responsabilidade de cada trabalhador; a dos sindicatos, por último, que vai no sentido de canalizar novas receitas, oriundas de uma sobretaxa sobre os resultados das empresas e de uma efectiva taxação sobre os profissionais liberais, de forma a financiar as necessidades futuras – é o apuramento das reais razões que conduziram à actual situação de penúria de meios da segurança social.

Este apuramento de responsabilidades é tanto mais importante quanto nada garante que na sua ausência a solução que venha a ser retida não volte a registar novas dificuldades.

Em nome da transparência e de uma ética que nunca deveria estar arredada de qualquer função governativa, devemos exigir que conjuntamente com as medidas paliativas sejam divulgadas as reais razões para as actuais dificuldades bem como as medidas a aplicar no futuro para prevenir a sua repetição.

Sem isto, dificilmente qualquer modelo de financiamento será aceitável em virtude de não poder garantir a respectiva sustentabilidade.


terça-feira, 5 de setembro de 2006

QUEM NÃO SE SENTE…

A entrevista com o Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, que pode ler aqui e no último número de «O Almeirinense», tem sido alvo de polémica entre a comunidade bloguística local.

O assunto, como não podia deixar de ser é o ápodo de inúteis que, talvez ressabiado pelas denúncias anónimas de que se diz alvo, atribui aos “fazedores de blogs”.

Muitos foram (são) os comentários em vários dos blogs locais – Pensar Almeirim 2006; Sandes-de-Coirato; (o vazio) – e de alguns dos seus habituais leitores.

Por mim, tinha decidido não dedicar qualquer espaço ao problema – afinal, toda a gente tem direito a opinar – mas ao ler algumas das opiniões anteriormente referidas, acabei por me deixar entusiasmar pela questão. Como outros também não gostei, mas confesso que não espantou tanto assim a afirmação, afinal o nosso presidente ainda recentemente se tinha alargado em comentários pouco coerentes e fundamentados sobre questões bem mais importantes que este nosso vício de escrita.

Por agora mais não digo, porque certamente não faltarão ocasiões para voltarmos a questões tão importantes como a da relevância do debate aberto de ideias (é isso o que mais me atrai no universo dos blogs), da sua importância para a formação de juízos e para a avaliação dos actos daqueles a quem entregamos a importante tarefa de criar e gerir melhores condições de vida para todos nós; então veremos se o Dr. Sousa Gomes manterá o mesmo tipo de opinião…

sábado, 2 de setembro de 2006

NACIONAL PORREIRISMO

Imagens bem claras do que há muito se designa pelo “nacional porreirismo” voltaram a ter esta semana com as notícias sobre os resultados dos exames nacionais do 9º ano, realizados em 2005, e sobre a controversa decisão de continuar o processo de desmantelamento de barracas na Azinhaga dos Besouros.

Com o início de mais um ano lectivo à porta dois dos principais matutinos nacionais noticiaram os resultados dos exames do 9º ano realizados em 2005. Segundo dados do Ministério da Educação a taxa de reprovações subiu de 12,5% (valor registado no ano lectivo 2003/2004, no qual não houve exames finais às disciplinas de Português e Matemática) para 19,9%. Com apenas um peso de 25% para a nota final, ainda assim as classificações dos exames nacionais foram responsáveis por mais 7.400 retenções que no ano lectivo anterior.

Como se não bastasse a frieza dos números e a demora na sua divulgação, estes resultados são apresentados pelo Ministério da Educação mais de um ano após as provas, o facto deterem sido conhecidos nas vésperas de arranque de mais um ano lectivo parece-me desmentir completamente os responsáveis por aquele ministério quando vêm dizer que aqueles resultados têm o mérito de poder marcar um ponto de viragem.

Se parece ser um dado adquirido para o Ministério da Educação que o problema resultará não da falta de recursos, mas sim da falta de organização e que os responsáveis esperam ver resolvido com as novas medidas de reforço do poder e autonomia escolares, então como poderemos esperar que o ano lectivo de 2006/2007 marque uma efectiva viragem se no que respeita ao tal reforço do poder e autonomia escolares pouco mudou do ano lectivo anterior para este?

Enquanto o ministério fala numa clara insuficiência de aprendizagens (e recordo que no 9º ano apenas são realizados exames às disciplinas de Português e Matemática), organizações profissionais vêm alertar para o facto de se estarem a sujeitar jovens de 13 e 14 anos a um processo de avaliação de aprendizagem baseado num teste de hora e meia.

Infelizmente continuamos a assistir a um diálogo de surdos entre Ministério da Educação e as estruturas profissionais que representam os docentes, com ambas (e principalmente as últimas) a esquecerem que a finalidade do sistema educativo é a de proporcionar aos jovens meios e ferramentas orientadas para a aquisição de conhecimentos e formação de competências. As escolas deverão existir para formar jovens que deverão ao longo do tempo de permanência nelas adquirir o maior volume possível de conhecimentos e competências e os docentes (e demais profissionais de educação) deverão ser os agentes difusores e catalizadores desse conhecimento.

Contrariamente ao que pretendem as associações profissionais e muitas estruturas representativas dos encarregados de educação, não vejo que da realização regular de exames a todas as disciplinas possa resultar qualquer prejuízo para os jovens; pelo contrário, prejudicial é a situação que se tem vivido em que os jovens apenas realizavam exames no 12º ano (exames estes fundamentais para a continuação de estudos), apresentando-se a estes sem qualquer preparação ou experiência anterior.

Só quem queira manter uma situação de benefício pode conscientemente defender a ideia de que os jovens não devem ao longo do seu percurso académico ser submetidos a exames regulares, como se na vida profissional que os aguarda estes não venham a ser submetidos a situações de idêntico grau de «stress» e com uma forte probabilidade do grau de “injustiça” ainda ser maior.

Como se não bastasse este tipo de problemas e de abordagens para falar no despudorado à vontade com que entre nós se abordam questões tão fundamentais como a educação (sejam os seus resultados sejam os métodos aplicados), ainda assistimos nos últimos dias à continuação do processo de demolições, da responsabilidade da Câmara Municipal da Amadora, na Azinhaga dos Besouros.

Independentemente da justeza da decisão da autarquia e do seu empenhamento em reduzir a elevada quantidade de habitação clandestina que existe na área da sua jurisdição, o que ninguém de boa fé pode negar é que imagens como aquelas a que nos foi dado assistir parecem mais extraídas de uma qualquer acção de desalojamento de colonos judeus ou de palestinianos decretada pelo governo israelita, que de iniciativas seriamente ponderadas, devidamente preparadas e nas quais as famílias desalojadas sejam reencaminhadas para novas habitações ou soluções alternativas humanamente dignas e aceitáveis.

Por maior razão que os responsáveis da autarquia possam ter, fazer acompanhar acções daquele tipo de um vasto aparato policial apenas serve para oferecer argumentos aos que contestem o desalojamento e aos que sempre atiram a responsabilidade pelos desmandos e desacatos às minorias que continuamos a ver viver em condições degradantes nos subúrbios das nossas principais cidades.

Que haja necessidade de introduzir planeamento no caótico tecido urbano do concelho da Amadora só duvidará quem nunca por lá tentou circular, mas nada obriga a que as famílias desalojadas sejam tratadas da forma que agora vimos. Depois também não é de estranhar que logo tenham surgido vozes a contestar a iniciativa, baseadas no simples facto de que a urgência do desalojamento resulta da necessidade de abrir uma estrada de acesso a uma moderna área comercial.

Verdade ou mentira, em breve tiraremos a dúvida!

Certo, para já, é que tudo isto continua a ocorrer no país de brandos costumes que somos todos nós!

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

UM ANO DEPOIS DO KATRINA

O dia 29 de Agosto marcou o primeiro aniversário da passagem do furacão Katrina pelo sul do território dos EUA. Esse grande país cuja dimensão territorial, riqueza e sede de poder dos seus dirigentes alcandorou à destacada posição de potência suprema do planeta.

Paralelamente com este cenário de grandiosidade e poder continuaram ao longo dos doze meses do ano que decorreu a chegarem-nos ecos da situação calamitosa em que as populações da cidade destruída de Nova Orleães continuam a viver. Embora correntemente se afirme que uma imagem vale mil palavras, prefiro marcar o desastre com as palavras escritas poucos dias depois por uma jornalista americana (negra) de um pequeno jornal do estado do Kentuky, no interior dos EUA.


«A AMÉRICA NEGRA ACUSA

Refugiados. Eis como os meios de comunicação nos apresentaram os deslocados por causa das inundações. Refugiados? Um refugiado é alguém que foge da guerra, da opressão, da perseguição, não de uma catástrofe natural. As pessoas que vemos nos nossos écrans de televisão ou nos jornais são habitantes de Nova Orleães. Contribuintes americanos. Negros e pobres, na sua maior parte. São pessoas como nós conhecemos, que vigiam as nossas crianças, que recolhem as mesas nos restaurantes, que limpam as nossas habitações e os quartos de hotel, que se desembaraçam como podem para aguentar entre cada pagamento de salário. Na sua grande maioria. São nossos compatriotas, Americanos. E nós tratamo-los pior que alguma vez vi este país tratar quem quer que fosse que se encontrasse numa situação tão desesperada.

Ser negro e pobre nestas circunstâncias é ser como um animal. Porque não existe qualquer dúvida que se fossem seres humanos teriam recebido auxílio muito, muito mais cedo. Muitos dias após a passagem do furacão Katrina, os que não puderam fugir viam-se obrigados a urinar diante dos forasteiros por falta de instalações de auxílio. Como fazem os animais. Encontrei ainda duas mulheres junto dos corpos em decomposição dos seus maridos, mortos alguns dias antes e tapados apenas com um cobertor. Sobreviventes contavam que tinham tido de abrir caminho, com a água pelo peito, entre os cadáveres que flutuavam. Nunca anteriormente se deixou que tal acontecesse nos Estados Unidos. Abandonou-se os habitantes de Nova Orleães à sua sorte. Sendo classificados como refugiados não é necessário apresentá-los como Americanos. Quando os tratam como refugiados, não é preciso tratá-los como vizinhos. Longe de querer ofender os habitantes de Alabama ou do Mississipi que tiveram, eles também, o azar de se encontrarem no caminho de passagem do Katrina. Quer sejam negros ou brancos, perderam entes queridos e bens. Mas retiraram-se os seus mortos e não estão cercados pelas águas. Sabendo que dezenas de milhares de pessoas foram abandonadas em Nova Orleães, sabendo que os diques rebentaram e que as águas corriam livremente pelas ruas da cidade, alguém devia ter enviado socorros muitos dias mais cedo. Mas também era preciso que o governo federal, democratas e republicanos, fossem capazes de se identificar com as classes trabalhadoras e desfavorecidas do país. E ainda faltava considerar as vítimas como pessoas deslocadas, como seres humanos, e não como refugiados. O valor da vida humana não pode depender dos meios financeiros de cada um ou da cor da sua pele

Merlene Davis no Lexington Herald Leader (início de Setembro de 2005) – sublinhados meus.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

TENDA ALTERNATIVA NO PÃO VINHO & Cª

Porque há uns dias aqui deixei referência ao que se poderia “viver” além do PÃO VINHO & Cª, porque referi com particular ênfase a lamentável falta de informação do programa oficial relativamente à programação musical na Tenda Alternativa (que erradamente chamei de Tenda Electrónica) e porque agora encontrei uma referência à respectiva programação, aqui fica a informação

e, tal como o fez a minha fonte – o companheiro bloguista SANDES DE COIRATO - deixo também a ressalva de que desconheço a origem do cartaz bem como a respectiva fidelidade informativa.

Seja como for e porque é melhor esta pouca informação que nenhuma…


domingo, 27 de agosto de 2006

BALANÇO DE MAIS UMA INVASÃO DO LÍBANO

Enquanto se mantém os contactos diplomáticos e as dúvidas sobre a constituição da força internacional de interposição (UNIFIL) a deslocar para o sul do Líbano sob o mandato da ONU, vai-se registando um ou outro incidente na zona (confrontos entre o Tsahal e o Hezbollah) e intensificando as acções israelitas na Faixa de Gaza.

Apesar de tudo parecer na mesma após os longos dias do confronto entre os israelitas e o Hezbollah (excepção feita aos mortos, deslocados e à destruição praticada) o ambiente mudou bastante nos territórios mais directamente afectados. Enquanto o governo libanês se preocupará com dois níveis diferentes de problemas – ao nível económico enfrentando as dificuldades da reconstrução das infraestruturas destruídas pelos israelitas e o fornecimento de um mínimo de condições às populações atingidas e às deslocadas, enquanto a nível político e militar procura mostrar empenho e capacidade para desarmar o Hezbollah, ou garantir um mínimo de violações ao cessar-fogo – o Hezbollah procura capitalizar os resultados de um confronto do qual se pode afirmar vencedor e não enjeita sequer as oportunas acções de propaganda junto das populações civis mais afectadas, a quem promete ajuda material e financeira para a normalização das suas actividades. Do outro lado da fronteira o governo israelita enfrenta as críticas da oposição pelo evidente fracasso da opção militar e reorienta a sua actividade militar sobre os territórios palestinianos (revelando de forma cada vez mais evidente a sua nula disposição ao diálogo) persistindo na realização de operações destinadas à eliminação física de militantes palestinianos (já abrangem mais que os militantes do Hamas) e que agora também já inclui a detenção de membros do governo e da assembleia palestiniana.

O clima que se vive no interior de Israel, de crítica ou defesa das opções do governo de Ehud Olmert, já começou a estender-se a outros países do ocidente, mostrando bem quanto a questão israelo-árabe ultrapassa em muito as simples fronteiras do Médio Oriente (ou não tivesse ela sido originada por um processo desastroso da gestão colonial britânica o Médio Oriente).

Evidências deste “conflito” entre defensores da acção militar e apologistas de soluções menos agressivas encontram-se até entre nós, com aqueles a funcionarem normalmente como correias de transmissão das teses há muito defendidas pelos sionistas judaicos e pelos extremistas neoconservadores americanos.

Durante a semana que agora terminou voltou Vasco Graça Moura a utilizar a sua crónica semanal no DIÁRIO DE NOTÍCIAS para propagandear estas posições extremistas, justificando-as com o que apresenta como «…o sinistro resultado que Israel colheria se embarcasse nas injunções tão penosamente cozinhadas da comunidade internacional. Até se sentir em segurança, Israel dirá "sim, mas" ao cessar-fogo e fará o que entende que deve fazer. Felizmente para os judeus e para o mundo civilizado. O quadro da sobrevivência de Israel passa pela criação de um conjunto de condições que respeitam ao mundo árabe, ao mundo islâmico em geral e às redes terroristas» e criticando tudo e todos que diz oporem-se-lhe, começando pela ONU que «…não presta para nada. Não evita conflitos, não evita guerras, não evita destruições, não evita catástrofes humanas (e decretou) …um cessar-fogo em que os beligerantes não têm o mesmo estatuto», continuando com o Hezbollah que «…é uma canalha assassina que não pode ser tomada a sério nem é fiável como interlocutor» e com o Líbano que «praticamente não existe como Estado. É um joguete de várias forças e não tem qualquer capacidade negocial. O seu exército nunca foi capaz de limpar o Sul do país, nem nos tempos da OLP nem nos do Hezbollah». Mistura tudo isto com a UNIFIL e os países europeus quando afirma que «Não se vislumbra que a tal força militar da ONU venha a ter uma composição satisfatória. Franceses, italianos e espanhóis, cuja participação nela se anuncia, acabarão a contribuir submissamente para o falhanço da missão: é o que pode esperar-se da mediocridade congénita e irremissível dos srs. Chirac e Villepin, da periclitante salada de esquerda do sr. Prodi e do progressismo alvar do sr. Zapatero» e espera ter demonstrado a indispensabilidade da violência porque o «…quadro da sobrevivência de Israel passa pela criação de um conjunto de condições que respeitam ao mundo árabe, ao mundo islâmico em geral e às redes terroristas. É inalcançável sem fortes dispositivos militares e sem parcerias em que o Ocidente intervenha decididamente…» para concluir beatificamente que «…para já, só os Estados Unidos e a Grã-Bretanha é que parecem ter compreendido todas as implicações civilizacionais e geostratégicas de uma questão cujos termos estão todos interligados, ao contrário do que pensam algumas almas ingénuas e do que afirma a esquerda pós-soviética» o que em última instância determinará que de forma altruística os «…israelitas não terão outro remédio senão neutralizar o potencial nuclear do Irão. Mas a União Europeia continua a contentar-se com as patéticas deslocações do sr. Solana por esse mundo fora e a achar que tantas andanças tão exemplarmente sem sentido correspondem ao papel mais eficaz que a História lhe reservou».

Em jeito de comentário e como proposta de informação alternativa aconselho a leitura de um artigo de Uri Avnery, que encontrei traduzido aqui, lugar onde também encontrei o artigo de José António Carvalho, publicado no Público de 18/08/2006, a que se refere o texto de Vasco Graça Moura.

Para evitar repetir-me nas críticas às formulações e opiniões de Vasco Graça Moura sobre a questão israelo-árabe (e sobre a recente invasão do Líbano), vou apenas referir dois dados que me parecem significativamente importantes: a publicação, na mesma data do seu artigo, de um relatório da AMNISTIA INTERNACIONAL e de um trabalho da BBC NEWS, no qual se estabelece um paralelismo dos efeitos e resultados da invasão israelita do Líbano.

Começando por este último, cuja versão original se encontra aqui, leia-se e compare-se:

(para ampliar o quadro clique uma vez com o botão esquerdo do rato e uma segunda vez para ampliar)

Para facilitar o trabalho das conclusões, recordo que Israel tem um PNB estimado em 163,45 mil milhões de US$ e uma população de 7,026 milhões (incluindo os colonatos na Cisjordânia), enquanto o Líbano apresenta um PNB estimado em 19,49 mil milhões de US$ e uma população de 3,874 milhões.

Analisando de forma abstracta os números constata-se que o meio milhão de deslocados israelitas motivados pelos bombardeamentos do Hezbollah representam apenas 7,12% da população, contra os quase 25% de libaneses forçados a abandonar as suas casas; os 159 israelitas mortos representam 0,0023% da população total de Israel enquanto os do Líbano já ascendem a 0,43% (20 vezes mais para uma população que representa pouco mais de 50% da de Israel). Estendendo esta análise ao tipo de baixas (militares e civis) constata-se que as baixas militares de Israel (116) representam 72,96% do total de mortos daquela nacionalidade, enquanto para o caso libanês representa apenas 31,79% (530 milícias do Hezbollah mortos); mais gritante é o facto das baixas civis no Líbano representarem 68,21% dos mortos daquela nacionalidade, enquanto os civis israelitas representam apenas 27% do total. Fica assim perfeitamente claro que se Israel não tomou como alvo preferencial as populações civis também não terá tomado as medidas mais eficazes para o evitar.

Observando a disparidade no volume e tipo dos estragos infligidos por ambas as partes torna-se perfeitamente claro que o exército israelita fez muito pouco para evitar as baixas civis (as tais que normalmente são referidas como danos colaterais) e pior, tudo tentou para incapacitar as infraestruturas mínimas para as populações civis, até porque só as mentalidades mais inconscientes podem entender que bombardeamentos a estações de tratamento de água e esgotos, instalações de produção e distribuição de electricidade e diques, constituam alvos militares e contribuam para evitar a fuga do grupo que capturou os dois soldados israelitas, cuja recuperação o governo israelitas usou como justificação para a invasão.

Esquecendo os dramas humanos, sempre associados a fenómenos como o da guerra, e analisando os custos desta acção militar o aparente equilíbrio expresso no trabalho da BBC que estima em 5,9 mil milhões de US$ os prejuízos de Israel e em 6,5 mil milhões de US$ os do Líbano, revela-se muito diferente quando se comparam estes valores com o PNB de cada um dos países. Assim, enquanto os prejuízos israelitas não representam mais de 5,9% do seu PNB, já os prejuízos libaneses representam 33,35% do respectivo PNB, com a agravante deste país se debater com a total destruição da sua principal indústria de exportação – o turismo.

Clarificada um pouco mais a realidade dos dois países é talvez a altura de analisarmos o conteúdo do relatório da Amnistia Internacional sobre o conflito no Líbano. Segundo este documento daquela ONG quer Israel quer o Hezbollah infringiram as leis humanitárias internacionais durante o conflito, tomando populações civis por alvo das suas acções militares. Contudo o relatório é particularmente claro quando atribui um maior grau de responsabilidade ao Tsahal (exército de Israel), não hesitando mesmo em mencionar a expressão “crimes de guerra” a propósito dos ataques israelitas a habitações, locais de armazenamento de água e combustíveis.

Na apresentação daquele relatório intitulado «Destruição deliberada ou “danos colaterais”? Ataques israelitas contra infraestruturas civis», Kate Gilmore, Secretária Geral Executiva da Amnesty International, afirmou que a «…asserção israelita de que ataques a infraestruturas eram legais está manifestamente errada. Muitas das violações identificadas no nosso relatório constituem crimes de guerra, incluindo os ataques indiscriminados e desproporcionados. As evidências manifestamente sugerem que a extensão destrutiva de unidades de produção eléctrica e de tratamento de águas, bem como da infraestrutura de transportes, vital para o abastecimento de géneros e outro auxílio humanitário, foi deliberada e parte integrante de uma estratégia militar

Contrariando o argumento israelita de que as suas acções apenas visavam o Hezbollah e que os danos nas infraestruturas civis eram fruto daquela organização utilizar as populações civis como “escudos humanos”, a mesma responsável afirmou que o «padrão, a finalidade e a dimensão dos ataques tornam o argumento israelita de que se trata de “danos colaterais”, simplesmente não credível» e concluiu defendendo que «as vítimas civis de ambos os lados deste conflito merecem justiça. A natureza grave das violações praticadas torna urgente uma investigação à conduta de ambas as partes. Tem que haver responsabilização para os perpetradores de crimes de guerra e indemnizações para as vítimas», algo que a generalidade dos cidadãos mundiais que se preocupem com princípios como a justiça e a equidade não pode deixar de subscrever.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

VII FITIJ EM SANTARÉM

Numa organização do TEATRINHO DE SANTARÉM vai realizar-se a sétima edição do FITIF – Festival Internacional de Teatro para a Infância e Juventude.

Entre 28 de Agosto e 1 de Setembro passarão pelas salas do Teatro Sá da Bandeira e do CÍRCULO CULTURAL SCALABITANO oito espectáculos teatrais, montados por outros tantos grupos oriundos de cinco países europeus.

Paralelamente decorre diariamente no Ginásio do INATEL, uma oficina de máscaras gigantes, sob a orientação dos especialistas dinamarqueses Mona e Niels Damkjaer, onde os participantes aprenderão a fazer e manipular máscaras e marionetas gigantes, para serem usadas não só em desfiles ou animações de rua, mas também como figuras de palco em qualquer espectáculo.

Mesmo tratando-se de espectáculos particularmente destinados aos mais jovens, ou por isso mesmo, o Carlos Oliveira (Chona) e toda a sua equipa merecem bem a presença e o apoio de todos nós.

ALÉM DA VI MOSTRA GASTRONÓMICA DE ALMEIRIM

Conforme a ilustração anterior inicia-se amanhã, dia 26 de Agosto, mais uma edição (a sexta) do PÃO VINHO & COMPANHIA. Como habitual nos anos anteriores, durante nove dias decorrerá uma mostra gastronómica e um conjunto de actividades de entretenimento destinadas fundamentalmente à animação daquele evento.

Voltaremos a ter entre nós um conjunto de artistas nacionais (que agradarão mais a uns que a outros), as habituais apresentações de folclore, com particular destaque para os diferentes ranchos das freguesias do concelho e para o Festival de Folclore organizado pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, e a novidade deste ano: espectáculos diários de jovens grupos musicais num espaço específico – a Tenda Electrónica.

Pouco esclarecedor, o programa oficial menciona apenas a apresentação de música electrónica, rock, metal, ska e outras, deixando no anonimato os grupos que por lá desfilarão.

O sucesso da iniciativa avaliar-se-á “a posteriori”; para já registe-se a ideia e louve-se a oportunidade proporcionada aos mais jovens, mesmo que “a priori” seja facilmente expectável alguma fraca qualidade, talvez venhamos a ser surpreendidos, pela positiva, por algum dos grupos…

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

PELAS COSTAS DOS OUTROS…

Entre as notícias hoje vindas a lume, figura a da renúncia ao mandato de presidente da Câmara de Setúbal apresentada por Carlos de Sousa.

Esta menção especial não resulta da novidade (desde o fim de semana passado que algo do género era expectável), nem da pronta aparição televisiva dos “colunáveis” da oposição (Fernando Negrão pelo PSD e Vítor Ramalho pelo PS) mas principalmente de um sentimento que não posso deixar de tornar público.

Independentemente das razões que possam assistir ao PCP para retirar a confiança a quem fora seu cabeça de lista em eleições que se realizaram há menos de um ano, parece-me que com esta decisão, e na ausência de uma fundamentação muito forte, a direcção daquele partido criou uma situação muito complicada para futuros actos eleitorais.

Mais que questionar a legalidade (ou o direito) de substituir alguém que foi sujeito a um processo eleitoral, estou em crer que com esta decisão o PCP fragilizou não só o elenco camarário de Setúbal mas também todos os restantes eleitos nas suas listas e, principalmente, todos os que nelas se venham a candidatar em futuros actos eleitorais.

Mesmo que na origem desta decisão do PCP tenha estado o inquérito que a IGAT (Inspecção-Geral da Administração do Território) tem em curso, para bem da democracia, do país e das autarquias teria sido preferível aguardar pelo desfecho daquele, mesmo que este acarretasse a perda de mandato de Carlos de Sousa e a dissolução do executivo.

Admitindo como válido o princípio que diz que «pelas costas dos outros vemos as nossas» e apesar de faltar muito tempo para as próximas eleições autárquicas, talvez os eleitores portugueses se lembrem na altura do que agora aconteceu e da pouca ou nenhuma consideração que o PCP revelou pela escolha dos eleitores sadinos.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

ASTE NAGUSIA (a)

As festividades populares que actualmente decorrem em Bilbao (a cujo início tive a oportunidade de assistir) são bem a prova real do muito que pode ser feito para a promoção e divulgação da cultura popular e que esta não tem obrigatoriamente de ser algo destinado a “velhos saudosistas”, podendo abranger um vasto leque etário.

A Aste Nagusia resultou de uma ideia recente (está a cumprir a sua 25ª edição) a que ano após ano a juventude de Bilbao vem aderindo e contribuindo para o seu crescimento. Na essência trata-se de uma ideia genialmente simples, para cujo sucesso muito contribui a participação da juventude e a sua forma irreverente de ver o mundo.

Tudo começou com a ideia de organizar actividades que contribuíssem para a animação das noites de Agosto de uma cidade cada vez mais despovoada naquele mês do ano. As iniciativas são da responsabilidade de grupos independentes (as “komparsas”) que promovem desde “tasquinhas de comes e bebes” (com a ajuda do calor são muito mais os “bebes” que os “comes”) a todo outro conjunto de iniciativas como concertos musicais, actividades de teatro de rua, um concurso de fogo de artifício, provas desportivas tradicionais, corridas pedestres e de barcos, etc., etc….

A simplicidade da ideia funciona muito por culpa da animação e vontade dos mais jovens, mas também porque os poderes políticos da cidade e o respectivo tecido económico tem entendido as vantagens obtidas desta animação adicional na sua cidade. Com a crescente afluência de público (muito dele vindo de cada vez mais longe) é não só toda a indústria hoteleira e de restauração que passou a contar com mais um período de elevada utilização, mas também o comércio em geral que beneficia com a afluência de forasteiros.

Observando a simplicidade de uma ideia e a entrega com que as diferentes “komparsas” preparam as suas iniciativas (num espírito de rivalidade muito sadia) não espanta o sucesso nem o “mar de gente” que noite adentro se desloca de “txona”(b), em “txona”, se concentra para os espectáculos diários de fogo de artifício ou para assistir aos concertos ou às provas desportivas.

Quer agora, quer enquanto assistia a estas multidões em festa, não pude deixar de estabelecer algum paralelismo entre aquilo que vivi em Bilbao e o que se vive de festividades entre nós, nem de constatar que as festas populares não têm de ser construídas à volta de figuras de cartaz ditas populares (mas que cobram “cachets” de vedetas internacionais de primeiro plano), nem assumir valores e estéticas que afastem os mais novos. Aliás, o segredo do sucesso da Aste Nagusia será precisamente o de assentar na iniciativa dos mais jovens, a eles indo buscar a participação, a alegria, a irreverência e a generosidade.

Que bom seria vermos a juventude da nossa cidade empenhada em projectos desta natureza e uma maior e real animação nas festas que nela se realizam.


(a) Semana Grande, em dialecto Basco

(b) Local ou zona, em dialecto Basco



terça-feira, 15 de agosto de 2006

O PRÓXIMO PASSO DOS NEOCONSERVADORES

Enquanto aguardamos pelo desenvolvimento da situação no Médio Oriente, onde para muitos a tranquilidade que se vive é semelhante àquela que antecede as tempestades, é seguramente oportuno reflectir um pouco sobre como se chegou a este ponto e em que medida isso pode influenciar o que se seguirá.

Mesmo para os menos atentos o acordo de cessar-fogo alcançado pela ONU podia, e devia, ter acontecido bem mais cedo, o que apenas não ocorreu por deliberada actuação dos EUA, que numa primeira fase apelaram à contenção israelita para a seguir se oporem frontalmente a qualquer hipótese de cessar-fogo; as primeiras referências a uma iniciativa francesa motivaram nova alteração da posição americana, que então passou a apresentar uma proposta de cessar-fogo apenas para inviabilizar a iniciativa francesa e assim prolongar as conversações diplomáticas e o conflito em curso.

Paralelamente com estes desenvolvimentos no plano da diplomacia externa, o grupo dos designados neoconservadores americanos foi manobrando a nível interno em duas frentes, no sentido de voltar a fazer prevalecer as suas teses. A primeira frente consistiu em ampliar as críticas a Condoleezza Rice, procurando assim minar a influência desta junto de George W Bush e preparar a opinião pública interna para a definição de novos alvos militares. A segunda, foi orientada para o plano bilateral e traduziu-se na utilização das suas posições chave na administração Bush – terá sido devido à influência da equipa de Dick Cheney (o vice-presidente) e a Elliott Abrams (director principal do Conselho de Segurança Nacional para o Próximo Oriente) – para partilhar informações dos serviços de segurança nacional (NSA) sobre a Síria e o Irão com os israelitas, no sentido de fundamentarem o proclamado auxílio destes países ao Hezbollah e assim alcançarem uma hipotética escalada militar no conflito.

Adiada para já esta hipótese, que poderia bem consistir em conduzir as FDI (o exército de Israel) a atacar alvos na Síria e no Irão, nem por isso aquele grupo de exacerbados defensores do princípio de “quanto pior melhor” deverá ter abandonado as suas iniciativas.

A fragilização do grupo mais moderado (que em termos de figuras da administração é normalmente associado a Condoleezza Rice, como já o fora a Colin Powell) parece estar a resultar e os efeitos que se terão feito sentir na “resolução” do conflito entre Israel e o Líbano, deverão a breve trecho expandir-se a outras importantes vertentes como é o caso da questão nuclear iraniana.

Anteriores análises e intervenções dos neoconservadores sobre o Médio Oriente são motivo de preocupação suficiente sobre o que poderá vir a acontecer. Para tal basta lembrar o trabalho realizado por Richard Perle (ex-director do Gabinete de Política de Defesa americano), Douglas Feith (ex-subsecretário de estado da Defesa) e David Wurmser (conselheiro para o Médio Oriente de Dick Cheney) a pedido do gabinete israelita chefiado por Benjamin Netanyahu, no qual os autores preconizavam o que designaram por “corte radical”: o abandono da política de “terra por paz” que conduzira aos Acordos de Oslo, por outra que forçasse árabes e palestinianos a aceitar a “paz pela paz” no termos de Israel; além de preciosidades deste calibre, o “estudo” previa ainda acções militares com vista ao enfraquecimento da Síria e até um plano para estender o controle do ex-rei Hussein da Jordânia ao Iraque.

Basta lembrar a forma como a administração de Bush fundamentou a pretensão do ataque ao Iraque, baseada em informações falsas e sem qualquer fundamento, para antever que de iniciativas originadas pelos neoconservadores pouco ou nada de bom poderá resultar. Pior do que o fracasso de uma política agressiva é a ausência de reconhecimento do erro e a persistência no mesmo.

Depois de terem falhado a criação de um cenário de conflito generalizado em torno de Israel, de terem mergulhado o seu país e os aliados ingleses num conflito sem fim à vista no Iraque, os neoconservadores preparam-se agora para conduzir americanos, israelitas e quem os apoiar num cenário de confronto com Síria e Irão que pode bem ampliar-se a outras regiões.

Procurando substituir a qualquer custo a arma do diálogo pelo diálogo das armas este grupo de “influentes personalidades” (que, é bom não esquecer, inclui o actual homem forte do FMI - Paul Wolfowitz) continua a manobrar no sentido de conduzir os EUA ao que entendem ser o seu desígnio universal, nem que para tal tenham que arrasar tudo e todos à sua passagem e no final fiquem a “mandar” apenas em si próprios, se sobrar algum…

DUBITANDO AD VERITATEM PERVENIMUS [*]

Embora de modo algum se possa falar de acalmia nas principais zonas de conflito declarado – no Iraque continua a não passar um único dia sem que cheguem notícias de novos atentados e outros incidentes entre xiitas, sunitas e tropas iraquianas ou ocupantes; no Afeganistão multiplicam-se os sinais de recrudescimento de acções de resistência, fomentadas ou não, pelos talibans; da Palestina continuam a chegar ecos de acções militares de Israel contra o Hamas e as populações locais, enquanto no Líbano toda a gente aguarda para ver no que irá dar a resolução para o cessar-fogo aprovada na ONU – parece-me chegado o momento de olhar para a informação que tem circulado a propósito do anúncio pela polícia londrina do desmantelamento de um grupo conotado com o terrorismo islâmico que se prepararia para fazer explodir diversos aviões.

Não se tratando da primeira da primeira vez que forças policiais ocidentais anunciam o desmantelamento de redes terroristas a operarem nos respectivos países, nem do anúncio de uma acção inverosímil, há porém um conjunto de pequenos pormenores que merecem uma observação mais crítica aos contornos da notícia.

O primeiro deles, de que aliás a própria imprensa britânica se fez logo eco, é o da extrema oportunidade do anúncio. Este não só coincidiu com um período mais delicado da ofensiva israelita sobre o Líbano (quando a polémica em torno dos bombardeamentos israelitas sobre Canaã, e por extensão todos os realizados sobre populações civis, estava no auge) mas também com o dia exacto em que iria ser discutido no parlamento britânico um relatório sobre a situação no Iraque e em particular sobre as tropas britânicas naquele cenário de conflito.

O segundo, tem a ver com os resultados de anteriores intervenções para o desmantelamento de redes terroristas, que se no seu início foram alvo de pronto e profundo acompanhamento jornalístico, o mesmo não aconteceu quando se revelaram infundadas as suspeitas e os presos foram libertados.

O terceiro, tem a ver com a participação dos serviços secretos paquistaneses, oportunamente questionada a propósito do recente atentado em Bombaim, que agora surgem como elemento despoletador das detenções efectuadas em Londres. Tal como aconteceu com o atentado na Índia, onde surgiram dúvidas sobre o papel daqueles serviços secretos nomeadamente por via de conhecidas ligações aos grupos islâmicos acusados do atentado bem como pelas suas estreitas ligações à CIA, eis que também no caso inglês a ligação ao Paquistão e aos seus controversos serviços de espionagem surge como um dado importante e merecedor da devida atenção. Se no caso de Bombaim o “interesse” paquistanês é por demais evidente, no caso britânico este poderá ser mais mitigado, embora não se deva esquecer a importância das comunidades indianas e paquistanesas neste país.

É óbvio que não disponho de uma única prova sobre este conjunto de suspeitas, mas analisando o que se tem passado em Inglaterra – a forma como ocorreram os infelizmente bem sucedidos atentados na rede de transportes londrina, a actuação das polícias inglesas no rescaldo destes e nas acções que se lhe seguiram e pior que tudo, a forma como o governo de Blair encontra cada vez maiores dificuldades para explicar aos seus eleitores as opções que tem vindo a tomar em termos de política externa, e principalmente na acção contra o terrorismo – é um facto que as circunstâncias que as rodeiam possibilitam demasiadas dúvidas.

Outro factor igualmente importante na abordagem do recente fenómeno do chamado terrorismo islâmico é a sempre complicada situação no Médio Oriente. Não que esta moderna versão de terrorismo se assemelhe às acções registadas até finais do século XX, onde era evidente o peso ideológico e a definição de objectivos directamente ligados (ou facilmente associáveis) aos interesses envolvidos naquela zona do mundo, mas porque a tenção que se vive naquela região continua a funcionar como importante catalizador quer na fase de recrutamento quer na posterior forma de actuação destes grupos.

Enquanto as acções perpetradas por grupos palestinianos sempre tiveram por alvo interesses judaicos ou quanto muito dos seus mais directos apoiantes, os modernos objectivos estão a ser fixados em função de agendas mais específicas e tendo em vista a maximização dos prejuízos para as economias dos países visados. Esta estratégia tem sido tão bem sucedida que agora perante uma simples suspeita as populações já estão dispostas a abdicar que praticamente tudo em nome da sua “segurança”. Após um período em que a generalidade dos cidadãos dos países ocidentais aceitaram significativas reduções nas suas liberdades fundamentais (veja-se o caso dos EUA que desde o 11 de Setembro de 2001 mantém em vigor leis altamente lesivas para as liberdades individuais dos cidadãos), parece que chegámos a um ponto em que as populações ocidentais aceitam silenciosamente a imposição de toda e qualquer “regra” de segurança inventada à última da hora.

Mesmo sem existir uma ligação directa entre os objectivos dos grupos terroristas islâmicos e questões como a autonomia palestiniana, ninguém poderá negar que acontecimentos como os que se estão a registar na Faixa de Gaza e no Líbano, a par com o Iraque e o Afeganistão, constituem excelentes argumentos para os movimentos radicais islâmicos continuarem a engrossar as suas fileiras de “devotos”. Enquanto os governantes dos países ocidentais, e em particular os EUA, mantiverem uma estratégia de apoio incondicional aos desejos de Israel com manifesto prejuízo de todos os outros povos e estados à sua volta dificilmente será alcançável um processo de paz duradouro para a região. Por haver quem não acredite em coincidências nem na elaboração de estratégias baseadas na simples ignorância ou mera “casmurrice”, têm-se multiplicado as referências a acontecimentos particularmente estranhos (por vezes até se poderia ser tentado a defini-los como contranatura), entre os quais se contam a crescente aproximação entre Israel e a Turquia, a pretexto da instalação do oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan e da sua futura ligação ao de Ashkelon-Eilat (questão sobre a qual já aqui me debrucei), que já estará a revelar efeitos a nível militar segundo um artigo recentemente publicado pela GLOBAL RESEARCH.

A crer na existência de um “acordo militar” entre os EUA, Israel e Turquia, a proposta de cessar-fogo dificilmente aprovada pela ONU que prevê a instalação no sul do Líbano de uma força de interposição (UNIFIL) com a possibilidade de incluir soldados turcos, poderá ficar ainda mais longe de constituir um elemento de estabilização e assistir-se à repetição de uma situação de impotência no desempenho da missão, como a que se registou nos Balcãs, com a agravante de virmos a assistir a um novo surto belicista e à sua propagação para a Síria e o Irão, conforme há vários vem sendo defendido e planificado no Pentágono.


[*] (loc.lat.) duvidando, chegamos à verdade

sábado, 12 de agosto de 2006

POR MAIS QUE SEJA SANTA, A GUERRA É A GUERRA!

Duas semanas volvidas, eis que na sua habitual crónica semanal no DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Vasco Graça Moura retoma a defesa das teses sionistas (a utilização do termo não pode ser abusiva uma vez que é o próprio autor que intitulou o seu trabalho de «As lembranças de Sião»). Depois de ler e reler o texto várias vezes (não pela sua novidade nem pela sua densidade filológica) logo o assinalei como merecedor de referência neste espaço. Mentalmente referenciei algumas das questões a debater, após o que continuei com as minhas habituais leituras.

Tinha pensado procurar aqui esclarecer algumas das afirmações produzidas, com as quais Vasco Graça Moura habilmente procura cobrir de candura as estratégias judaicas e de opróbrio e vilania as actuações de palestinianos e árabes. Assim, a pretensa benemerência com que os dirigentes judaicos aceitaram as primeiras propostas de distribuição territorial (em 1937) resultou não de um arreigado sentimento de concórdia mas do facto daquele grupo não representar sequer 30% da população do território; por outro lado a recusa das propostas britânicas para regular questões como a distribuição da terra e a chegada de novos imigrantes tanto foi assumida pelos árabes como pelos judeus e o recurso à violência foi praticado por ambas as partes (se assim não tivesse sido com explicará Vasco Graça Moura a criação do Irgun e do Stern, grupos guerrilheiros que se cindiram do Aganah por discordarem dos seus métodos demasiados brandos quer relativamente aos ingleses quer aos árabes e que se distinguiram por inúmeros actos de terrorismo contra estes).

Outro evidente “branqueamento” despudoradamente praticado por Vasco Graça Moura é quando omite a forma como foi criado o estado de Israel. Contrariando a pretensão da ONU de criar dois estados (um judeu e outro palestiniano) os judeus declararam unilateralmente o estado judaico, assim contribuindo (se é que não o fizeram intencionalmente) para o primeiro ataque em forma desencadeado pelos estados árabes vizinhos e em consequência do qual Israel iniciou o primeiro processo de anexação de novos territórios aos palestinianos. Fortalecidos com o constante fluxo imigratório (situação que Vasco Graça Moura também adultera quando refere a forma como os estados árabes instalaram os refugiados palestinianos nos seus territórios – criando campos de refugiados que ainda hoje existem – mas esquece de mencionar que os judeus oriundos dos países árabes e do leste europeu eram (são) “colocados” nos colonatos mais afastados e com piores condições de vida) e o não menor e regular fluxo financeiro oriundo das ricas comunidades judaicas instaladas na Europa e nos EUA, os dirigentes israelitas de pronto iniciaram um processo de armamento intensivo, que culminou com a constituição do seu próprio arsenal nuclear, constituindo actualmente um dos mais importantes parceiros militares dos EUA e o destino do mais sofisticado equipamento militar por este produzido.

Porém, no dia seguinte deparei-me, no mesmo jornal, com um texto assinado pelo Prof. Rogério Fernandes Ferreira que responde muito melhor que eu o conseguiria fazer ao que na véspera escrevera Vasco Graça Moura.

Além de recomendar vivamente a sua leitura, aqui deixo algumas curtas citações:

«As ocorrências de conflitos armados são descritas tendenciosamente, favorecendo-se assim a deflagração ou o desenvolver de guerras.

[…] Quem, realmente, quer a paz esforça-se por a encontrar. Conceber e concretizar guerras não é conceber paz.

Culpa-se da guerra o outro lado (pois, nós, temos razão). Nós queremos o legítimo (o que é nosso). O que é nosso? O nosso é o que defendemos, o que queremos tirar aos outros ou o que os outros nos querem tirar a nós.

[…] Ainda não se condenam os crimes dos vencedores, dos mais fortes. Até persiste o mito de considerar mais heróis os que mais matam.»

que a todos recomendo terem em mente quando lerem ou ouvirem algo sobre o que se está a passar, ou se passou, no conflito israelo-árabe.

Como um dia Fausto Bordalo Dias bem escreveu «… por mais que seja santa a Guerra é a Guerra», estou seguro que em nenhum conflito existem em qualquer dos lados apenas santos ou pecadores, heróis ou cobardes, mas tão somente Homens que desejam sobretudo viver… Assim, continuo convicto que não será com contribuições como mais esta de Vasco Graça Moura que algum dia se conseguirá construir uma paz efectiva no Médio Oriente ou em qualquer outra região do Mundo e que por mais utópico que seja Rogério Fernandes Ferreira, é seguindo-o que poderemos construir um Mundo melhor.