quarta-feira, 16 de junho de 2010

LAMAÇAL

Enquanto prossegue de forma até agora imparável o derrame de petróleo no Golfo do México e os jornais e as televisões vão divulgando imagens da catástrofe ecológica, poucas têm sido as vozes que apontem a verdadeira origem do problema.

Toda a gente entenderá a necessidade da contínua exploração de novas jazidas petrolíferas – pelo menos enquanto o mundo continuar amarado a um modelo de desenvolvimento baseado na produção de energia a partir da queima de materiais fósseis como o carvão e o petróleo – mas dificilmente o fará perante a forma descuidada como esta é feita. Mesmo admitindo que os acidentes acontecem, começa a tornar-se difícil aceitar que estes ocorram em dimensão cada vez maior e que as grandes empresas onde eles ocorrem se revelem incapazes para os resolver.

Uma vez que a catástrofe do Golfo do México não pode ser assacada a nenhum acto terrorista (que conveniente que seria...) nem a actuação de um qualquer grupo e “rebeldes” como acontece no continente africano, resta olhá-la com “ olhos de ver” e apontar as excessivas facilidades de que as empresas petrolíferas têm beneficiado
[1].

Também aqui, como no caso dos mercados de capitais, a raiz do problema residirá na desregulamentação – tão cara aos neoliberais e demais apólogos dos supremos benefícios dos mercados auto-regulados – e no consequente laxismo das autoridades que a pretexto das estratégicas necessidades energéticas ou em consequência dos importantes contributos financeiros têm ignorado sistematicamente todos os avisos e a prudência com que a actividade da exploração petrolífera deveria ser encarada.
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[1] Veja-se a propósito a recente notícia do I que diz que «Mais petróleo é derramado na Nigéria por ano do que o que foi perdido no Golfo do México».

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