Uma notícia hoje inserta no DIÁRIO DE NOTÍCIAS revela que fruto da investigação em torno do processo «PORTUCALE» - que envolve o Grupo Espírito Santo em alegadas práticas de tráfico de influências visando a autorizações para a instalação de um empreendimento turístico – se levantaram fortes suspeitas sobre a prática de um outro ilícito.

Para além da questão de ter havido ou não de ilícito criminal (para o evitar é preciso mais que não ter onerado o erário público com o processo de microfilmagem) é indispensável que seja apurado o teor dos respectivos documentos e muito em especial os oriundos do Ministério da Defesa, a fim de se apurar sobre o grau de confidencialidade (ou secretismo) dos respectivos conteúdos.
A importância desta exigência não deve ser entendida apenas por se encontrarem envolvidos documentos de uma área tão sensível quanto a defesa nacional (ninguém receia a “venda” de eventuais segredos sobre o grau de prontidão das nossas tropas ou o estado de decrepitude do arsenal dos três ramos das forças armadas) mas, fundamentalmente, por esta iniciativa revelar a concertação de uma estratégia política (todos os envolvidos são, ou eram-no na altura, membros de topo da hierarquia do CDS), uma certa forma de estar e fazer política (manifestada no receio de futuros ataques políticos) e uma despudorada ausência de ética.
Sim, porque mesmo que se venha a apurar que nenhum documento confidencial passou a integrar o arquivo pessoal de qualquer um deles, nem por isso deixa de estar em causa e de merecer uma exemplar punição a actuação de políticos que manifestamente se julgam acima das leis e dos princípios éticos que obrigatoriamente deveriam estar associados ao exercício de elevados cargos públicos, que todos eles dizem suportar com elevados prejuízos pessoais, familiares e financeiros.
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