
Sendo conhecidas as intenções de países como o Japão e a Alemanha de virem a conquistar um lugar permanente no Conselho, outras potências regionais como a Índia e o Brasil almejam o mesmo. A estas intenções opõem-se países como a Espanha, a Itália, a Argentina, o México e o Paquistão.
Este tipo de quezílias, constituindo parte do ambiente tradicional na ONU, não é suficiente para justificar nem a ausência de resultados nem o desabafo de Kofi Annan, devendo a sua origem ser procurada algures. Na história recente o papel da ONU tem vindo a registar um crescente esvaziamento cuja justificação não se poderá reduzir apenas ao desenho do seu modelo de funcionamento (herdado do rescaldo da II Guerra Mundial) nem à cada vez menor capacidade para fazer cumprir as suas determinações (inexistência de uma força militar dissuasora) pelo que a verdadeira razão terá que ser outra – dificuldade de concertação de interesses com a política imperialista americana.
Só neste contexto é entendível a expressão de Kofi Annan e tanto mais quanto desde os finais do século passado que as sucessivas administrações americanas têm vindo a impedir o funcionamento de importantes tratados mundiais, como o Protocolo de Quioto sobre a limitação de emissões poluentes, o funcionamento de instituições de direito internacional, como o Tribunal Penal Internacional, ao não admitirem a sujeição dos seus cidadãos às respectivas regras e sanções e culminando no processo que conduziu à invasão do Iraque, à revelia da decisão da ONU.
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