De acordo com uma notícia publicada na página ELECTRONIC INTIFADA, baseada em documentos divulgados na página electrónica do Hamas após a expulsão das forças da Fatah da Faixa de Gaza, membros da liderança da Fatah conspiraram com Israel para assassinar Yasser Arafat.
Esta situação não constitui verdadeira novidade (muito se especulou nos dias próximos da sua morte) nem pode ser encarada como mais uma “teoria da conspiração”. Ao longo de toda a sua vida Arafat constituiu um alvo a abater por Israel (ou pelo menos par aos seus sectores mais radicais), facto que não tinha que mudar drásticamente após a tentativa de conciliação que constitui os Acordos de Oslo.
O texto de suporte da notícia, que li, é da autoria do próprio Director Executivo da EI, um americano de ascendência palestiniana (Ali Abunimah) especialista em questões do Médio Oriente e professor na Universidade de Chicago, e constitui ele próprio uma interessante reflexão sobre a situação palestiniana, uma clara denúncia do papel de Israel no continuado descrédito dos Acordos de Oslo e uma tentativa de interpretação da estratégia israelita.
Em dada altura o autor interroga-se sobre as razões que poderão justificar a actual estratégia israelita de apoio a Mahmoud Abbas, algo aparentemente anacrónico face à possibilidade de deixar os dois “inimigos” (Fatah e Hamas) digladiarem-se até à extinção e assim reivindicar uma vitória total; a resposta encontra-a no facto dos líderes israelitas necessitarem de escamotear uma realidade ainda mais perigosa que a dos ataques suicidas – a evolução demográfica corre contra Israel. Nos territórios controlados pelos israelitas (Israel, Faixa de Gaza e Cisjordânia) a população palestiniana é maioritária (e a tendência é para continuar a crescer) o que torna indispensável a existência de uma Autoridade Palestiniana que funcione no local à semelhança do que a África do Sul fez há décadas quando criou um sistema de bantustões (estados negros aparentemente autónomos) que possibilitou à minoria branca resistir mais alguns anos no poder.
Embora Abunimah nunca refira o facto de na sua origem o Hamas ter contado com o discreto apoio de Israel (então com o objectivo de dividir o movimento de resistência palestiniano e fragilizar a autoridade da OLP e de Yasser Arafat) e não esconda a denúncia dos métodos utilizados pelas Brigadas Ezadin al-Qassam (o braço armado do Hamas), nem por isso deixa de recordar que contrariamente ao que correntemente se diz e escreve no ocidente, o Hamas tem feito grandes esforços no sentido de moderar muito do seu discurso radical, facto que Israel e os EUA têm conseguido fazer esquecer com o embargo político e financeiro que decretaram contra o governo palestiniano democraticamente eleito no início de 2006.
Embora Abunimah nunca refira o facto de na sua origem o Hamas ter contado com o discreto apoio de Israel (então com o objectivo de dividir o movimento de resistência palestiniano e fragilizar a autoridade da OLP e de Yasser Arafat) e não esconda a denúncia dos métodos utilizados pelas Brigadas Ezadin al-Qassam (o braço armado do Hamas), nem por isso deixa de recordar que contrariamente ao que correntemente se diz e escreve no ocidente, o Hamas tem feito grandes esforços no sentido de moderar muito do seu discurso radical, facto que Israel e os EUA têm conseguido fazer esquecer com o embargo político e financeiro que decretaram contra o governo palestiniano democraticamente eleito no início de 2006.
Se a carta de Dahlan é uma clara confirmação da forma como Israel tem vindo a lidar com o problema palestiniano, não só através de sucessivas inflexões na sua estratégia, alternando fases aparentemente mais moderadas e conciliadoras com outras mais duras, mas também mediante recurso à infiltração nos círculos mais internos do movimento palestiniano, é igualmente a prova de que a actual direcção da Fatah (e da Autoridade Palestiniana) se encontra totalmente subordinada aos interesses israelitas.
Perante um cenário em que o Hamas tem sido conduzido do exterior (Israel, EUA, e UE) para posições e acções progressivamente mais radicais e em que o divórcio entre a liderança da Fatah e o povo palestiniano é cada vez mais evidente (a revelação da carta de Dahlan é apenas mais uma achega) que esperança resta aos palestinianos?
Esta questão é tanto mais importante quanto os palestinianos continuam a ser privados pelos israelitas da possibilidade de substituir as lideranças falhadas, pelo menos enquanto, como referi no “post” O QUARTETO E A PALESTINA, estes continuarem a manter sob prisão a geração de novos líderes.

Veiculando uma tese tão provocadora, mas intelectualmente interessante, estou ansioso por ler o livro - ONE COUNTRY: A BOLD PROPOSAL TO END THE ISRAELI-PALESTINIAN IMPASSE – onde o autor desenvolve a ideia.
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