A Irlanda do Norte tem finalmente um governo próprio.

Para quem julgue tudo isto algo de natural, sempre recordo que o processo de pacificação na Irlanda se arrasta há cerca de 13 anos, entre avanços e recuos, delicadas negociações e algumas manobras de profunda perturbação. Entre estas conta-se o famigerado caso de “espionagem”, que em 2002 determinou um assinalável retrocesso no processo com o restabelecimento da “administração directa” de Londres.
Apenas quatro anos depois e após a impossibilidade de provar em tribunal as acusações contra o Sinn Fein é que o processo de “devolução” da Irlanda aos irlandeses foi retomado.
Para quem espere que esta nova etapa se venha a desenrolar sem sobressaltos convirá recordar que o processo de “independência” irlandesa remonta ao século XII, quase às origens da formação da Grã-Bretanha, e infelizmente conheceu demasiados casos sangrentos (a revolta abafada num banho de sangue por Oliver Cromwell em 1649, a chamada “Páscoa Sangrenta” de 1916 e o não menos célebre “Domingo Sangrento” de 1972), atentados como os perpetrados pelo IRA nos armazéns londrinos da cadeia Harrod´s e em Brighton, durante a convenção dos conservadores, nos anos 80 do século passado, políticas desumanas aplicadas pelos governos britânicos sobre os activistas católicos, como a das prisões sem culpa formada e sem julgamento a que muitos dos militantes e simpatizantes do Sinn Fein e do IRA se viram “condenados” (pelas quais a Grã-Bretanha viria a ser condenada em 1971 pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem).

Sendo certo que o futuro aos irlandeses pertence, resta-nos esperar que de uma vez por todas tenham terminado as manobras desestabilizadoras e que as comunidades católica e protestante tenham encontrado um efectivo caminho comum.
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