Como se não bastasse admitir-se que os governos dos países-membros injectem milhares de milhões de euros em bancos cujas administrações pagas a peso de ouro e que durante anos a fio realizaram lucros fabulosos oportunamente entregues aos accionistas, ainda se propõe que este esforço financeiro seja distribuído pelos governos dos diferentes países onde aqueles bancos operam. O despudor (ou será a falta de meios de governos como o inglês, o francês e o alemão) já chega a ponto de fazer os contribuintes estrangeiros pagarem pelos erros dos banqueiros e pela inépcia dos sistemas de fiscalização dos mercados e dos respectivos bancos centrais!
A avançar-se para uma solução desta natureza quanto calhará a cada cidadão europeu, não-francês, suportar da incompetência do conselho de administração da SOCIÉTÉ GÉNÉRAL que não soube (ou não quis) impor limitações à desbragada actuação dos seus operadores de mercado?
A par desta legitimíssima pergunta outras devem ser colocadas.
Então porque é que os ministros das finanças não aprovaram procedimentos de idêntica envergadura para combater o processo de deslocalização de empresas para os paraísos asiáticos da mão-de-obra barata?
E o que é feito das tão apregoadas regras de livre funcionamento do mercado, sempre invocadas quando se trata de deslocalizar empresas e lançar centenas de trabalhadores para o desemprego? Onde pára agora a famigerada “mão invisível” que tão bem tem destruído os tecidos produtivos dos países da UE que estes mesmos senhores ministros deveriam ter sido os primeiros a defender?
Ou será a “mão invisível” a que vemos neste “cartoon” de Pat Bagley, distribuindo uma esmola entre os atingidos pela crise?
É que mesmo que seja socialmente entendível a intervenção dos poderes públicos para defesa dos interesses dos depositantes nos bancos, e por mais limitada e extrema que a medida possa ser, esta não poderá ser feita no sentido de colmatar os prejuízos dos administradores e dos accionistas desses bancos; estes terão que ser responsáveis pelos maus actos de gestão praticados e, há semelhança das empresas dos outros sectores de actividade, sujeitas a situações de falência ou de “take over”.
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[1] Pelo menos para quem tenha acompanhado de forma atenta o que a diversa imprensa nacional e estrangeira vai divulgando a pouco e pouco, ou para quem tenha lido os vários “posts” que desde meados de 2007 tenho dedicado a esta questão. Mais, especificamente sobre as estratégias que os banqueiros nacionais se preparam para implementar para ultrapassar a crise, ver o “post” datado de 16 de Março: «OS BANQUEIROS E A CRISE».
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