
O “coktail” resultante do agravamento das tensões no Médio Oriente, da ganância pelos lucros resultantes do negócio dos hidrocarbonetos, da “cegueira” política dos responsáveis norte-americanos, dos “fanatismos” político-religiosos dos dirigentes israelitas e árabes e a sempre presente luta pela hegemonia entre os estados árabes da região, tudo o indica, poderá evoluir no sentido de a história vir a registar em breve mais uma invasão militar na região.
A assim acontecer, o já hoje muito lucrativo negócio dos exércitos privados vai conhecer um crescimento exponencial, tornando ainda mais perceptíveis as declarações de John Geddes, ex-militar do SAS e dono da Ronin Concepts, àquele jornal que vai a ponto de antecipar o futuro recurso aos serviços de empresas como a sua pela ONU. Na linha do que vemos acontecer na actualidade (o número de mercenários privados no Iraque é superior ao das tropas britânicas no país) e quando se avolumam as notícias sobre a celebração de avultados contratos entre o Pentágono e empresas de segurança privadas (só departamento de estado norte-americano terá um orçamento de mil milhões de dólares para a protecção próxima do seu pessoal e de alguns dignitários estrangeiros, nos próximos 5 anos), tudo parece ser possível.
Que se trata de um ramo de negócio altamente lucrativo e atractivo, demonstra-o o LE MONDE quando afirma que «[a]lguns empresários fizeram rapidamente fortuna: só a Blackwater recebeu do governo americano mais de 570 milhões de dólares nos últimos cinco anos. A sua concorrente Triple Canopy, fundada em 2003, figurava três anos depois na lista das 100 maiores empresas da região de Washington».


Este fenómeno, que originará um crescente afastamento entre a opinião pública e os conflitos bélicos, servirá particularmente os interesses daqueles que desde o segundo conflito mundial têm vivido (e lucrado) de uma economia de guerra, mas nunca os da generalidade das populações que serão cada vez menos informadas sobre a realidade dos conflitos, logo, mais facilmente manipuláveis para aceitarem os sacrifícios financeiros (e apenas estes, já que os de natureza social serão esbatidos pelo distanciamento resultante da profissionalização das forças militares envolvidas) a eles associados.
Por tudo isto, será esta uma solução transitória até que seja tecnicamente possível e economicamente viável a robotização dos exércitos? e, já agora, a quanto poderão ascender os lucros de uma indústria bélica que não registe qualquer escrutínio popular?
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