Numa curiosa análise sobre as últimas gerações portuguesas hoje publicada pelo DN, César das Neves escolhe como elemento identificador para cada uma delas uma figura da nossa cultura. Iniciativa interessante e que poderá até revelar-se matéria susceptível de um estudo sociológico mais aprofundado.
Das suas escolhas parece-me de destacar a de Raul Solnado, como identificador da geração dos anos 50 do século passado – imagem particularmente feliz porque permite associá-lo rapidamente à enorme facécia que foi a Guerra Colonial – e a de Herman José como representante da geração seguinte.
Ora se qualquer processo de escolha pode (e deve) ser sempre criticável, este merece-o ainda mais.

Como tudo o resto, é evidente que as escolhas de César das Neves não são ingénuas, como também não o é a estratégica distinção entre períodos de crescimento e de retracção económica, o absoluto silêncio sobre a catástrofe que constituiu o período Durão Barroso/Santana Lopes, nem a mensagem final de esperança:
«Todas (as gerações) tiveram razões de queixa da herança que receberam, mas foram grandes porque conseguiram abrir novos caminhos num mundo cada vez mais exigente»
que de pronto me sugere um outro cliché dos tempos da ditadura: “que bom é viver neste cantinho há beira-mar plantado...”; é que enquanto nos mantiverem a olhar embevecidos o que de bom possamos ter feito, evitam que reconheçamos o que correu mal e aprendamos a corrigi-lo.
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