quinta-feira, 20 de novembro de 2014

AS GORDURAS SOMOS NÓS

Foi esta semana apresentado o último Barómetro das Crises, trabalho que vem sendo desenvolvido pelo CES (Centro de Estudos Sociais) cujo «Observatório vê a austeridade reflectida num "Estado deformado" pela recessão e pela dívida». De forma mais pragmática o DINHEIRO VIVO revelou-nos um quadro onde os salários e os apoios sociais caem, o IRS sobe e as «Gorduras do Estado aumentam mil milhões entre 2007 e 2015». Será preciso acrescentar mais alguma coisa sobre este comprovado falhanço da “austeridade expansionista”?


Depois dos cortes nos salários e no pessoal, das reduções orçamentais impostas a funções fundamentais como a Saúde, a Educação e a Segurança Social, medidas justificadas pela necessidade de adequar a dimensão e o peso da administração pública às nossas possibilidades (????), eis que se constata que, sem falar no aumento dos encargos com o serviço da dívida,«…os consumos intermédios aumentaram 11%, cerca de mil milhões de euros. Os encargos com PPP, incluídos nesta rubrica, que eram estimados no orçamento de 2007 em cerca de mil milhões de euros, totalizam no orçamento de 2015 cerca de 1,4 mil milhões de euros


No capítulo dos impostos verificou-se uma redução do IRC e um aumento do IRS e do IVA, num claro sentido regressivo para as famílias de menores rendimentos e contribuindo para a ideia que ao aumento da desigualdade se associa agora uma clara erosão da função redistributiva do Estado, que apenas permite concluir que, na perspectiva dum governo que segue à risca as premissas dos teóricos ordoliberais, as gorduras somos nós.

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