quarta-feira, 14 de abril de 2010

A GRANDE AMEAÇA

Depois do final do mês passado ter sido anunciado que «EUA e Rússia chegam a acordo sobre pacto de redução nuclear» eis que pouco após o início dos trabalhos de uma cimeira sobre Segurança Nuclear, que decorre em Washington, se ficou a saber que «Países prometem bloquear acesso de “actores não-estatais” a material nuclear».

Parecendo seguir a linha de pensamento expressa pelo presidente norte-americano, segundo a qual a maior ameaça reside no facto de grupos terroristas poderem ter acesso a material nuclear, os líderes reunidos em Washington terão concordado na coordenação de acções tendentes a evitar que entidades não oficiais tenham acesso a material radioactivo.


Apostando numa estratégia que mais que garantir a sua própria segurança (e reduzir os custos com a manutenção de arsenais nucleares obsoletos) visa principalmente conter as intenções iranianas, o presidente Obama parece ter obtido algumas cedências do cada vez mais importante “amigo chinês”[1], tanto mais importantes quanto durante o próximo mês de Maio se deverão concluir as negociações para a substituição do Tratado START[2] e não param de surgir notícias na imprensa ocidental sobre a continuação do desenvolvimento do programa nuclear iraniano.

O busilis é que por muito bem intencionadas que sejam este tipo de iniciativas, estados há que permanecem à sua margem, como seja o Irão, a Coreia do Norte (excluídos da reunião pela própria administração norte-americana) e Israel (que persiste em negar o facto reconhecido de também dispor de armamento nuclear).

Não será pois de espantar que as dúvidas em torno de todas estas questões se continuem a avolumar e que para muitos toda esta movimentação possa não passar de uma mera encenação internacional montada para coincidir com a passagem do aniversário do discurso de Barack Obama em que este anunciou a intenção de contribuir para um mundo livre de armas nucleares.
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[1] Pelo menos é o que se pode inferir da notícia do DN que assegura que «China aberta a discutir reforço de sanções ao Irão».
[2] Sigla de Strategic Arms Reduction Treaty, designação do acordo assinado em 1991 entre americanos em russos para a limitação dos respectivos arsenais nucleares.

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