quinta-feira, 26 de setembro de 2013
ELEIÇÕES E CANDIDATOS
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
TRISTE CONFIRMAÇÃO
Digo isto a propósito dos resultados locais das eleições que tiveram lugar no passado Domingo, porque confirmou-se que os níveis de abstenção – embora ligeiramente inferiores às eleições de 2005 – continuam a ser elevados e, pior, acima da média nacional e porque o aparecimento de um novo “concorrente” teve um efeito longe (demasiado longe) do esperado, especialmente quando o movimento logrou reunir mais de 4.500 assinaturas para a respectiva legalização.
Comparando os resultados de 2005 com os deste ano constata-se que a variação de eleitores que exerceram o seu direito de voto (mais 1.044 eleitores) foi praticamente igual ao crescimento registado nos cadernos eleitorais, que foi de 1.035 eleitores, o que mesmo assim possibilitou que a taxa de abstenção tenha descido dos 48,55% de 2005 para os 45,96% deste ano, mas não impediu que o concelho continue a registar uma taxa de abstenção superior à média nacional, que nesta eleição foi de 40,99%.
Este ténue sinal positivo não me parece suficiente para contradizer os receios que aqui tinha deixado há uns dias e continuar a lamentar a oportunidade perdida de se ter feito algo de diferente.
Este sentimento parece-me ainda mais reforçado quando se olha para o apuramento de resultados no concelho de Almeirim, em 2005 e em 2009,
e se constata que em termos práticos nada se modificou, pois a autarquia mantém a mesma direcção desde o longínquo ano de 1989, sem qualquer alteração à vista e com uma clara maioria na composição da Assembleia Municipal.
A ligeira redução na abstenção e a substituição do representante de um partido (o PSD) pelo cabeça de lista do movimento independente, numa vereação cujo presidente, há semelhança de anos anteriores, se arroga o privilégio de não distribuir pelouros pela “oposição”, não chega para dar relevância ao acto.
Perante este triste quadro que outra coisa se pode concluir senão ver confirmada a ideia de que se terá perdido uma oportunidade de ouro para reanimar a vida política local...
...daqui a quatro anos veremos se a lição foi ou não aprendida!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
OPORTUNIDADE PERDIDA?
Dito assim, pode parecer algo tão banal quanto qualquer outra eleição; porém, as autárquicas deviam ser as eleições mais importantes e participadas pelos eleitores, pois trata-se de escolher as pessoas que irão zelar pelas questões de maior proximidade dos eleitores – a gestão de espaços públicos, de redes de saneamento e de limpeza, de ordenamento de tráfego local e até de equipamentos desportivos e culturais – e de importância, por vezes capital, para o desenvolvimento regional, como sejam a captação de indústrias e serviços criadoras de emprego e potenciadoras de bem-estar local.
Aquilo que a observação estatística de actos anteriores nos permite concluir, além da conhecida tendência para o aumento da taxa de abstenção
é que a nível do concelho de Almeirim se verifica um fenómeno distinto, com uma clara tendência para o aumento daquela taxa, depois de um período (entre 1976 e 1985) no qual ela foi inferior (e por vezes muito inferior) à média nacional.
Ao atingirem-se nas últimas eleições valores de abstenção muito próximos dos 50% (48,48% em 2001 e 48,55% em 2005) seria de nos interrogarmos das razões que a tal terão conduzido e sem cairmos na tentação fácil de explicar este fenómeno pelo natural desgaste e desinteresse dos eleitores.
Se os quase trinta anos decorridos desde o particularmente concorrido acto eleitoral de 1979, quando a abstenção se quedou pelos 20,63% (ano em que a média nacional atingiu as 28,26%) poderão dar razão ao estafado argumento do “cansaço”, já a evidente e perigosa tendência de crescimento daquela taxa poderão significar que o alheamento dos eleitores é em grande medida relação inversa da qualidade dos candidatos.
Mesmo que esta explicação possa também ela revestir-se de algum simplismo, parece-me a mais realista face à evolução registada. Se assim não for, que outras razões poderão estar na origem do desinteresse de um universo eleitoral que no primeiro terço do período observado apresenta valores inferiores à média e depois passa para valores bem superiores?
E perante este cenário como reagiram as forças políticas locais? Procederam a uma renovação das propostas, quer em termos de políticas quer em termos de representantes, ou pelo contrário limitaram-se a “oferecer” mais do mesmo aos eleitores?
Desde o já longínquo ano de 1985, em que o aparecimento do PRD trouxe alguma agitação à cena política local, que não se verifica qualquer modificação ao “status quo” político-social local, tendência quebrada este ano com o aparecimento de uma lista de independentes.
A candidatura do MICA (Movimento Independente do Concelho de Almeirim) deveria por si só ser assinalada como acontecimento de relevância maior, não fora o facto desta novidade poucas alterações ter introduzido no figurino político local. Ao contrário do que é habitual em termos de uma estrutura partidária formal, uma candidatura independente deveria ter começado por mobilizar os munícipes, desafiando-os a participarem de forma mais activa em todo o processo de formação e definição programática, ao invés de, como refere o seu próprio programa, ter sido construída à volta de candidatos a cargos autárquicos.
Embora ainda falte o veredicto das urnas, não me custa antecipar desde já que foi pena ter-se perdido uma oportunidade de construção de um verdadeiro movimento de base e de assim se contribuir para a reanimação da vida política local e para uma possível redução da abstenção.
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