segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

CONGRESSISMOS

O fim-de-semana nacional ficou marcado pelo Congresso do PSD, não pela novidade ou pela qualidade dos resultados – fossem quais fossem estavam à partida remetidos para o esquecimento – mas por um ou outro “fait divers”, como o do maquiavélico golpe de asa do putativo candidato presencial que deixou de ser para voltar a ser.


É claro, para quem o tenha ouvido, que Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Coliseu para relançar a sua candidatura presidencial ou, como escreveu o I, «Marcelo faz rodagem para as presidenciais»; nada de novo nem de surpreendente no mais ágil dos políticos nacionais. Surpreendente, esse sim, foi o discurso de Santana Lopes ao trazer para o conciliábulo algumas notas da realidade socioeconómica portuguesa que o PSD tanto tem feito para esconder.

Refiro intencionalmente o PSD e não apenas a sua direcção pois a ausência no Congresso das vozes internas que mais têm criticado as opções de Passos Coelho (Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio) conferiram-lhe o monolitismo necessário e suficiente para tudo pareça numa harmonia que nem a réstia de realismo introduzido por Santana Lopes beliscou.

É óbvio que nem os tempos nem os interesses instalados permitem que se repitam antigos momentos de arroubo ou uma qualquer catarse colectiva que levasse os congressistas a aclamar personalidade ou tese contrária à do líder; nos aparelhos partidários o processo democrático interno está reduzido ao nível da abjecção, bem expresso na ignomínia da eleição de Miguel Relvas para o Conselho Nacional.

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