segunda-feira, 11 de junho de 2018

O DESCRÉDITO DE TRUMP


É do senso comum que a maioria das cimeiras multilaterais são enfadonhas e de pouca ou nula importância, até quando parece suceder o contrário, como aconteceu em 2009 com a cimeira do G20 onde se anunciou o acordo ao fornececimento de estímulo económicos e empréstimos aos países com os problemas criados pela crise financeira, que ao menos desempenhou algum papel para ajudar o mundo a evitar uma completa repetição da década de 1930, ou em 2010, quando em contraste, se formalizou uma viragem para uma política de austeridade que atrasou significativamente a recuperação económica e que se revela agora responsável pelo o aumento do extremismo político.

Inédito terá sido ver agora a tradicional encenação, do entendimento e da concórdia entre os líderes das maiores economias, abalada pela passagem de Donald Trump pelo Quebec, onde até se poderia esperar um discreto anúncio do iníco duma guerra comercial, ou no limite o despontar do colapso da aliança ocidental, mas não o pedido norte-americano de readmissão da Rússia para o grupo ou a exigência de abolição das tarifas praticadas sobre as exportações americanas, quando a própria administração norte-americana reconhece que a Europa pratica uma tarifa média da ordem dos 3%.


Interessante – e revelador da sua ignorância e da dos conselheiros de que se rodeia – foi saber que Trump confunde taxas comerciais com impostos sobre o consumo (como é o caso do IVA europeu), para criticar os seus parceiros económicos e parecer o paladino do «America first»; esta táctica poderá agradar aos rednecks (expressão usada nos EUA para designar o estereótipo do habitante do interior, tradicionalista e com baixos rendimentos; o equivalente ao saloio nacional) com que encheu os seus comícos eleitorais mas dificilmente trará outro resultado aos EUA além do ridículo.

A guerra comercial declarada pela administração Trump poderá acabar por custar mais aos EUA que aos seus parceiros e talvez para o esconder – ou simplesmente porque é essa a estratégia de qualquer vendedor de banha da cobra – ele tente falar mais e mais alto que os restantes, mas o que não conseguiu disfarçar foi a estranha coincidência de interesses com a Rússia (para mais numa cimeira eminentemente económica) nem o evidente mal-estar de ter que conviver com quem não o adula.

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