segunda-feira, 11 de novembro de 2019
domingo, 13 de outubro de 2019
AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO
A propósito da primeira
reunião do Conselho da Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), órgão
técnico do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), que teve lugar na semana passada, publicou o
EXPRESSO um artigo que titulou com uma
afirmação atribuída a um dos seus membros, o linguista Malaca Cavaleiro.
Defende este especialista
que revogar
o Acordo Ortográfico não seria honesto para as novas gerações, afirmação que
até poderá ser entendível face á teimosia política na aplicação de um acordo
polémico, mas que escamoteia a vergonhosa realidade deste famigerado acordo ter
sido extemporaneamente imposto em Portugal. A reclamada necessidade de
honestidade tem que ser aplicada aos dois lados (o que apoia, mas também o que
contesta) do problema.
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
LIÇÕES APRENDIDAS?
A pouca horas de
novas eleições legislativas das quais resultará a formação de um novo governo, é
da mais elementar justiça recordar a importância histórica do Parlamento que
agora termina funções.
Independentemente
das simpatias político partidárias ninguém de boa-fé poderá negar que o
parlamento eleito em 2015 deu uma importante lição ao País. Depois duma
questionável nomeação para a formação de governo e da sua rejeição no
Parlamento, depois duma inominável acção de bloqueio presidencial que se
recusava a aceitar outra solução governativa diversa da que lhe agradava, o
Parlamento impôs uma solução inédita no País, juntando socialistas (mais
correctamente deveria dizer-se sociais-democratas), comunistas, bloquistas
(marxistas e trotskistas) e ecologistas.
Esta coligação –
rapidamente apodada de “geringonça” por uma direita ressabiada, mas que se revelara
absolutamente incapaz de alargar o espectro político além dos populares (que se
auto-intitulam de sociais-democratas) e dos democratas cristãos (que querem ser
populares) – teve o enorme mérito de refutar alguns dos mais perniciosos dogmas
do nosso processo democrático. Primeiro o desgastado chavão de que a “esquerda”
portuguesa é meramente contestatária e lhe falta visão e capacidade de gerar
soluções governativas; depois a malfadada ideia de que existem candidatos ao
lugar de primeiro-ministro (algo que estupidamente alguns líderes partidários
continuam a persistir em afirmar); por último, devolveu ao Parlamento o seu
verdadeiro papel de origem e suporte à formação de soluções governativas.
Outro importante
resultado da solução governativa foi a refutação da ideia de que não existia
alternativa à solução da “austeridade expansionista”, tão cara à corrente neoliberal
que liderou o governo de Passos Coelho, pois o que fez na realidade o governo
de António Costa foi a aplicação das mesmas regras e restrições orçamentais sem
o exagero passista de querer ir além das próprias imposições dos credores.
Será que depois
da “geringonça” nada voltará a ser como era? Descansem os mais saudosistas que
todos os sinais apontam para um rápido esquecimento das lições que devíamos ter
aprendido nestes últimos quatro anos.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
BORIS
Poucos ignorariam
que o actual líder do Partido Conservador britânico (cujos membros são familiarmente
designados por “tories”, reminiscência do nome de um antigo partido de
tendência conservadora que reunia a aristocracia britânica) e Primeiro-ministro
em exercício sempre fez do histrionismo uma capa sob a qual apresentou as suas
variadas versões de jornalista, político, autarca e deputado.
Conhecido pelas
suas posições populistas, mas ainda mais pelas mais variadas trapalhadas com
tem mimoseado seguidores e opositores, viu-se alcandorado a uma posição (há
semelhança de outras que desempenhou) para a qual não reunia predicados
especiais nem se preparou de forma minimamente digna.
Durante a
campanha para o referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE, destacou-se
não pela qualidade da sua argumentação, mas pelas múltiplas deturpações e mentiras
difundidas sobre a Europa e o funcionamento das suas instituições. A tudo isto acrescentava
já o pouco recomendável apoio doutro personagem idêntico – Donald Trump – mesmo
antes de nos surpreender com esta peregrina ideia de propor a suspensão da
actividade do mais antigo Parlamento do Mundo, que por mais legal e
constitucional que seja, não é menos reveladora de uma clara faceta antidemocrática
de Boris Johnson.
Sabendo-se já que a Rainha
autoriza suspensão do parlamento britânico nem se estranha que a chefe do
governo escocês, Nicola Sturgeon, tenha dito à laia de comentário que este foi “O
dia em que a independência da Escócia se tornou inevitável” ou em que a
democracia “morreu” e que se conte já pelas centenas de milhares os que assinaram
petição contra o plano de Boris, que que outra não parece senão uma via
para contornar qualquer forma de oposição àquele que sempre foi o seu plano
original: garantir a saída do Reino Unido da UE de qualquer maneira e a qualquer
preço. Preço que será pago pela população inglesa, tenha ou não apoiado Boris
Johnson e o seu amigo Nigel Farrage (o líder do partido independentista – UKIP),
e em especial pelas gerações dos mais jovens que nem sequer votaram no referendo.
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