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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

EXEMPLOS DE FORA…


Os tempos que atravessamos recomendam um acréscimo de cuidado no tratamento da informação que nos disponibilizam. Assim, a leitura aparentemente consensual da notícia de que «Subsistemas de saúde em Portugal não vão acabar, mas vão ser reformados», pode e deve ser “temperada” por uma outra publicada na mesma data pelo mesmo jornal dando conta que «Na Grécia já há 600 mil pessoas abandonadas pelo sistema de saúde».


Digam o que disserem os membros do governo de Passos Coelho, os políticos dos partidos da coligação governativa ou os da oposição, uma coisa é certa: pelas costas dos outros vemos as nossas!

A gravíssima situação dos desempregados gregos deve ser encarada como um forte aviso daquilo que nos espera… se nada fizermos para inverter o processo de destruição económica e social em que o governo de Passos Coelho parece claramente apostado.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A MEIA HASTE


Não fosse a gravidade da situação e a proposta do comissário europeu alemão, Günther Oettinger, de nos edifícios europeus pôr a meia haste as bandeiras dos países endividados teria sido acolhida com um coro de sólidas e sonoras gargalhadas; o pior é que a absurda proposta é um perfeito espelho do anacronismo, da incompetência e da estupidez daqueles a que tem sido entregue a direcção dos destinos comuns europeus e que em pouco se distingue (salvo pelo claríssimo ridículo) das ineficazes e improcedentes medidas propostas como solução europeia para a crise global. 

Dirigidos por líderes claramente incompetentes e incapazes de ouvirem mais que o coro de sequazes de que se rodearam (tanto ou mais incultos e incompetentes como eles), manietados pelos dogmas da democracia ocidental – nomeadamente o da representatividade dos eleitos – os cidadãos europeus continuam a assistir impotentes ao agravar duma crise para a qual, na sua generalidade, pouco contribuiram. Enquanto isso a crise sistémica progride e revela cada vez mais a falência das teses neoliberais, que, por incapacidade de reconhecerem factos básicos como sejam o da impraticabilidade da obtenção de equilíbrios financeiros socialmente aceitáveis em cenários de recessão económica, insistem na repetição dos seus mantras[1] enquanto prometem o maná a quem os seguir.


O busílis é que a situação europeia resulta da dupla incapacidade de reconhecer que sem crescimento económico (i.e. sem uma estratégia de promoção do emprego e da recuperação do consumo das famílias) não haverá reequilíbrio orçamental e que a correcção das assimetrias e das desigualdades entre as suas economias terá sempre que ter em linha de conta as razões históricas dessas divergências e que a sua resolução só será alcançável no pressuposto do respeito pelas diferenças.

A ridícula proposta agora formulada, na linha da que no início da crise sugeriu a venda de ilhas gregas para liquidação da dívida, revela demasiado duma mentalidade xenófoba e de superioridade racial que sempre aflora em períodos conturbados e que de imediato deveria ter sido rejeitada pelo presidente da comissão europeia, o tíbio Durão Barroso, e acompanhada da imediata demissão do proponente[2] (por muito que isso custe à chanceler Angela Merkel, que se diz que terá nomeado Oettinger, então ministro-presidente do estado de Baden-Württemberg, para comissário europeu com o objectivo de afastar um possível oponente interno), sob pena do seu silêncio se transformar em apoio explícito à proposta e em nova demonstração da incapacidade e inutilidade da Comissão Europeia que dirige e de iniciativas como a que sugere a notícia do PUBLICO de que «Durão Barroso pede um “novo momento federativo” na Europa para resolver a crise do euro», ele que até ao momento nunca conseguiu que os seus “pares” fizessem mais que o estritamente necessário para a defesa dos seus interesses pessoais e nacionais.


[1] Palavra ou expressão que repetida insistentemente permitirá, segundo as crenças hinduísta e budista, alcançar um estado de contemplação e meditação.
[2] E não, como sugere o eurodeputado Rui Tavares e é referido nesta notícia do PUBLICO, que a demissão apenas ocorra no caso do comissário não se retratar, pois é mais que tempo de deixar em claro (ou com um mero pedido de desculpas) comentários daquela natureza.

domingo, 26 de julho de 2009

INFELIZMENTE É DOMINGO!

Depois da recente aprovação pelos parlamentos francês e português de alterações à legislação laboral, sobre o trabalho ao domingo (em França)...

...e o trabalho doméstico de menores de 16 anos (em Portugal)1, restará alguma dúvida em algum espírito menos atento, que a actual conjuntura de crise económica está a ser aproveitada para uma nova ofensiva contra alguns ganhos sociais?2

Depois de termos assistido ao recurso aos orçamentos públicos para “salvar” os banqueiros que prosseguiram estratégias altamente especulativas, começámos a ouvir diariamente notícias sobre falências, despedimentos e “layoffs”, enquanto de quando em vez vão surgindo outras sobre a necessidade de reduzir os salários para viabilizar as empresas – tudo inserido numa estratégia que visa a manutenção dos lucros do lado do capital e a transferência dos custos para o trabalho – parece termos chegado agora à fase de consignar na legislação os ganhos de mais esta crise.

E esta é apenas mais uma etapa no processo através do qual os interesses que lucraram com as políticas de deslocalização empresarial e de globalização dos mercados se preparam para iniciar a fase de recuperação económica que aguardam ansiosamente em situação de ainda maior vantagem e tudo isto com o apoio dos políticos que fizeram eleger à sombra de promessas de melhorias globais.

Agora que se aproxima nova ronda eleitoral é uma óptima oportunidade para todos nós reflectirmos sobre aqueles que elegemos, sobre a forma como nos levaram ao engano e sobre como não repetirmos o mesmo erro... ou outro idêntico.

Mais do que avaliarmos as promessas de benesses, ou as de rigor e seriedade, deveremos exigir dos políticos e dos partidos a sufrágio princípios simples e concretos sobre programas governativos e visões claras do que entendem ser o melhor futuro.

Quer a maioria tente voltar a refugiar-se nos chavões eleitorais, nas promessas de mundos e fundos e em agradáveis cenários de mel e rosas ou em frases vagas e dúbias envoltas em roupagens de verdade e transparência, caberá aos eleitores a indispensável tarefa de recordar aquele que foi o seu passado próximo e as respectivas passagens pelos corredores do poder... vão ver que tudo ficará muito mais fácil!
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1 Notícias sobre estas matérias podem ser lidas no LE MONDE e no DN.
2 A avaliar por notícias recentes, como estas do PUBLICO ou do JORNAL DE NEGÓCIOS, os jovens europeus contam-se entre as camadas da populações mais atingidas pelo desemprego e, a avaliar pelos efeitos que as medidas agora tomadas poderão ter, a tendência não será para a melhoria.