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segunda-feira, 1 de julho de 2019

VISTAS CURTAS


A leitura da notícia que dava conta que fora um «Cartoonista dispensado após publicar desenho com Trump a jogar golfe ao pé de migrantes mortos», recordou-me o episódio ocorrido com o cartoonista nacional António, quando o NEW YORK TIMES publicou este seu trabalho:


Reacções de Donald Trump e do poderoso lóbi judaico levaram a que fosse o «Cartoon de António acusado de anti-semitismo. NYTimes pede desculpas por o publicar» e alguns dias depois ficámos a saber que «Após polémica com António, "The New York Times" elimina "cartoons"», no que poucos se lembraram de equiparar a inquisitoriais processos de censura prévia.

De nada serviu quem lembrasse que «99% do mundo concorda com o cartoon de António», ou que existe todo um mundo de diferença entre anti-semitismo e anti-sionismo. 

Mas, melhor que muitas palavras deixo aqui trabalhos de dois outros cartoonistas – o cartoonista costa-riquenho Arcadio Esquivel e a venezuelana Rayma Suprani que foi dispensada em 2014 do jornal El Universal depois de realizar um cartoon de Hugo Chavez – comentaram esta situação, com uma argúcia e uma visão própria da sua arte, onde o primeiro antecipa o epitáfio do jornal…


…e a segunda deixa uma comparação entre o 11 de Setembro e as tesouras censórias.


terça-feira, 16 de abril de 2019

NOTRE DAME DE PARIS


Um dos símbolos de Paris não resistiu ontem a um fogo que quase o destruiu por completo.


A catedral de Notre Dame de Paris já tinha escapado no verão de 1944 à sentença que então lhe decretara Hitler, quando o comandante alemão das forças de ocupação decidiu não cumprir a ordem para arrasar os principais monumentos da cidade. Não escapou agora a um incêndio que o tempo dirá se foi acidente, fatalidade ou incúria.

Claro que de pronto chegaram as mensagens de consternação e solidariedade e até mais um disparatado tweet de Donald Trump sugerindo o uso de meios aéreos para combater o incêndio, ideia que reflecte a genialidade do autor e garantiria não só a extinção da catedral mas também a da Ile de France.

O governo francês já prometeu a sua reconstrução, mas até lá a Cidade da Luz, a Europa e o Mundo vão ficar cultural e historicamente mais pobres...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

VICE


A fábrica dos sonhos de Hollywood tem por vezes (muito raras vezes) a capacidade de mostrar mais do que talvez desejasse. Isso se poderá dizer do filme realizado por Adam McKay sobre a figura de Dick Cheney.


Não vou aqui analisar o filme nem o que sobre ele pode ser reflectido, melhor que eu já o fez Viriato Soromenho-Marques no seu «O assalto à Casa Branca». Quero só deixar um pequeno contributo que me ocorreu algures a meio da visualização de um trabalho que revelando as incongruências e as idiossincrasias de um sistema político profundamente corrompido (veja-se a cena da “chegada” do estagiário Cheney aos corredores do Congresso) joga ainda nas subtilezas da língua quando se apresenta com um título que tanto pode aludir ao cargo de Dick Cheney na administração de George W Bush como ao enraizado vício (que é esse o significado do termo "vice") pelo poder que todos aqueles personagens representam.

domingo, 23 de dezembro de 2018

SINAIS DOS TEMPOS...



Isto já não é ficção!

A realidade chega bem mais depressa do que muitas vezes se pensa...