Depois do périplo que George W Bush efectuou em meados deste mês pela região pouco ou nada mudou, senão para pior, o que justifica perfeitamente a dúvida sobre o que terá levado o presidente da super potência hegemónica a deslocar-se à mais sensível das regiões do globo agora, e apenas agora, que recta final para abandonar a Casa Branca?
Apesar de apresentada pelo staff da sua administração como um importante passo para o aprofundamento da Conferência de Annapolis[1] e das aparentes críticas tecidas ao governo israelita (durante uma intervenção em Jerusalém George W Bush apelou ao fim da ocupação israelita iniciada em 1967), a sua passagem pela região não passou de uma mascarada de que o episódio narrado pelo editor da BBC para o Médio Oriente é um perfeito exemplo: «Na terça-feira de manhã o presidente Bush foi de automóvel de Jerusalém para Ramallah, cerca de 16 km para norte, porque o mau tempo impediu a deslocação prevista de helicóptero. A sua caravana deslizou pelos postos de controlo israelita, enquanto os palestinianos não têm a mesma sorte – longa horas de espera nesses locais é uma parte significativa da sua vida habitual.
O regime de segurança israelita assenta numa rede de muros, gradeamentos, barreiras e autorizações, que não constituem apenas uma questão de incómodo para os palestinianos, pois de acordo com o Banco Mundial aquele é o principal factor impeditivo do crescimento da economia palestiniana, factor que o presidente Bush e muita gente considera vital para o estabelecimento da paz na região. «…» Após a partida de George W Bush de Ramallah, o exército israelita repôs as barreiras que habitualmente obstruem a estrada utilizada»[2]
Caso ainda sejam necessários mais argumentos para desmascarar a farsa em que se está a transformar mais esta etapa para a pacificação da região, basta observar o que actualmente se passa na Faixa de Gaza. O bloqueio recentemente intensificado pelo Tsahal[3] – alegadamente como forma de retaliação contra o lançamento de rockets Qassam sobre o seu território – revela-se, na prática, longe de contribuir para o pretendido isolamento do Hamas enquanto agrava as já muito degradas condições de vida do milhão e meio de habitantes que perante as constantes agressões israelitas tende mais a cerrar fileiras em defesa daquele grupo radical que a aumentar o volume das suas críticas.
Esta duplicidade da política israelita, seja ela explícita ou sub-reptícia, tem sido uma constante na delicada situação palestiniana e uma prática assumida pelos sucessivos governos, desde os primórdios da instalação dos primeiros colonatos judaicos. Usando e abusando de um discurso agressivo e expansionista para consumo interno e de outro onde sempre se apresenta na qualidade de vítima para consumo externo, os governos israelitas nunca deixaram de prosseguir uma política que lhes assegurasse o domínio e supremacia sobre as populações palestinianas e se agora parece abraçar fervorosamente o conceito dois povos – dois estados é apenas por exclusivo interesse próprio e por necessidade de sobrevivência[4].
É evidente que a invocação israelita do direito à segurança da sua população é um forte argumento perante a comunidade internacional em geral e a ocidental em particular, até porque os judeus continuam a capitalizar os efeitos da perseguição de que foram alvo pelo regime nazi, mas não é menos verdade que este mesmo efeito começa já a apresentar evidentes sinais de deterioração e em muitas situações é já manifesto o cansaço perante o uso e abuso do mesmo argumento, em especial quando são agora os governantes israelitas que recorrem a práticas idênticas. São claro exemplo destas as crescentes privações a que sujeitam o povo palestiniano (expressas na limitação do acesso às fontes de água potável, aos seus tradicionais campos agrícolas, numa palavra a um mínimo de dignidade) até provocarem uma reacção dos grupos mais radicais, para em seguida invocarem essa mesma reacção para novas e maiores restrições de direitos e liberdades palestinianas.
Manter os palestinianos confinados a pequenas zonas desligadas entre si e do mundo em geral e obrigá-los a enfrentar uma perspectiva de total ausência de futuro é também uma forma de genocídio. Uma forma profundamente maquiavélica mas perfeitamente ajustada à capacidade de manipulação que os responsáveis israelitas têm revelado e que é bem capaz de estar na origem dos últimos acontecimentos na Faixa de Gaza; quando na sequência do bloqueio que originou a interrupção no fornecimento de energia e uma generalizada escassez de bens alimentares e de medicamentos naquele território apareceu derrubada parte do muro que a separa do Egipto, milhares de palestinianos apressaram-se a atravessar a fronteira na ânsia de encontrarem os bens de que necessitam para a sua vida diária e na de escaparem às privações a que têm sido sujeitos. Ora esta pode bem ser uma excelente oportunidade para o governo de Telavive se ver livre de mais alguns milhares de incómodos palestinianos, facto que justificará até a total inércia dos exércitos israelitas e egípcios para estancarem o êxodo e reporem a “segurança” da fronteira.
Embora se desconheçam números oficiais é bem possível que o número de “fugitivos” já ande perto dos 500 mil, o que não só aumenta a consistência da hipótese de planeamento como torna mais compreensíveis alguns rumores que referem a existência de jazidas de gás natural na Faixa de Gaza.
___________
[2] Ver o artigo completo aqui.
[3] Acrónimo que designa o exército judaico, também conhecido por IDF (Israel Defense Forces).
[4] Recorde-se a este respeito a referência que fiz neste post a declarações de Ehud Olmert chamando a atenção aos israelitas para a necessidade de apoiarem a solução dois povos – dois estados sob pena de a prazo o fracasso desta estratégia acarretar o fim do estado israelita, porque a aplicação do principio democrático de um cidadão um voto originará um dia um estado governado por uma maioria palestiniana.
faz uma serie de afirmações sem fundamento.
ResponderEliminarSugere que Israel faz um genocidio de um povo.
É estranho.
De facto a população palestina é uma das que mais cresce, no mundo.
Os palestinos são uma das populações com uma maior taxa de crescimento mas vc afirma que eles estão a ser exterminados.
Já alguma vez viu uma população sujeita a Genocidios cujos membros sejam mais e mais a cada dia que passa
É ridiculo afirmar-se que Israel pratica genocidio.
Genocidio é exterminio de um povo e desde que israel controla Gaza, a Margem Ocidental os palestinos multiplicaram-se , não foram exterminados.
Tambem sugere que Israel teria plano diabólico para expulsar os palestinos de Gaza.
Cito
quando na sequência do bloqueio que originou a interrupção no fornecimento de energia e uma generalizada escassez de bens alimentares e de medicamentos naquele território apareceu derrubada parte do muro que a separa do Egipto, milhares de palestinianos apressaram-se a atravessar a fronteira
...................
esta pode bem ser uma excelente oportunidade para o governo de Telavive se ver livre de mais alguns milhares de incómodos palestinianos..
............
é bem possível que o número de “fugitivos” já ande perto dos 500 mil, o que não só aumenta a consistência da hipótese de planeamento como torna mais compreensíveis alguns rumores que referem a existência de jazidas de gás natural na Faixa de Gaza.
fim citação
Esta é a chamada teoria da conspiração.
Esta cai pela base devido ao facto desses meio milhão não ser gente que saiu de Gaza , é gente que atravessou a fronteira mas depois regressou.
Acha que os egipcios iriam receber meio milhão de palestinos e colaborar com o plano sionista de esvaziar Gaza
?
Se acha é porque não acompanha as noticias.
O Egipto rapidamente construiu uma rede de segurança em volta da Zona para não deixar as gentes sair da zona limitrofe da fronteira.
Pensar que o Egipto iria deixar-se submerso por meio milhão de palestinos, é inenarrável.
Ainda hoje os arabes batem o pé por causa dos refugiados de 1948.
Acha que o Egipto iria aceitar mais meio milhão de palestinos em 2008 ?
Enfim , uma tristeza.
No fundo está em causa o antisemitismo.
O judeu é o mau da fita.
É o que faz judiarias.
E assim nasceu hitler o homem que quiz acabar com o problema judaico mas não conseguiu.
O antisemitismo jubjacente está em atribuir aos israelitas , judeus, planos
fantasticos e diabolicos.
Veja aí um numero do Der Sturmer o Jornal de Hitler.
Revelado Plano criminoso judaico contra humanidade.
http://www.stormfront.org/truth_at_last/images/dersturmer.gif
Substitua judaico por Israelita , humanidade por palestino..,e terá.
Revelado plano Criminoso Israelita Contra Palestinos.
Hà coisas que NUNCA mudam.
O antisemitismo , odio ao Judeu, Israelita, parece ser uma delas.